14 de agosto de 2019, 08:19

BRASILDelação dá munição a Lava Jato de SP para apurações sobre CPTM e linha 4

Foto: Felipe Rau/Estadão

Geraldo Alckmin

A recém-firmada delação de Sérgio Brasil, ex-diretor do Metrô em gestões tucanas, deu subsídios à Lava Jato de São Paulo para apurações que avancem sobre supostos esquemas na CPTM (estatal de trens) e na construção da linha 4-amarela. Na sexta (9), a Justiça Federal aceitou uma primeira denúncia que usava elementos da delação do ex-diretor -que acusa 14 pessoas de corrupção nas linhas 2-verde, 5-lilás e 6-laranja do Metrô paulista. Tanto a linha amarela como a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) não foram incluídas na denúncia. No entanto, a partir da delação de Sérgio Brasil, a força-tarefa diz haver sinais de um “eventual equivalente espelho” de irregularidades em outros projetos –ou seja, favorecimentos a empreiteiras em troca de vantagens indevidas.

Sobre a linha 4-amarela, a primeira do Metrô a ser concedida à iniciativa privada, há apurações sobre sua licitação e obra. A investigação não trata da concessão e operação. Sérgio Brasil, além de principal delator, é um dos réus e obteve aval da Justiça para ter vantagens em sua pena em troca da colaboração. Ele foi gerente de compras do Metrô entre 1994 e 2008, depois diretor e, em 2010, se tornou assessor de parceria público-privada da Secretaria de Planejamento do Estado. Nome recorrente em investigações criminais, antes da Lava Jato já aparecia na Operação Castelo de Areia, que foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2011, sob o codinome “Mel de Abelha”. Já nas planilhas da Odebrecht era apelidado de “Brasileiro” ou “Encostado”.

O ex-diretor é apontado como uma espécie de “Paulo Preto do Metrô”: um agente público que, em troca de propina, intermediava as concorrências e mantinha contratos das empreiteiras em obras do estado. Paulo Preto, cujo nome é Paulo Vieira de Souza, é ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias) e suspeito de operar para o PSDB. Está preso preventivamente desde fevereiro em Curitiba. Na denúncia apresentada pela Lava Jato, o ex-diretor do Metrô relata episódios que, segundo ele, aconteceram entre 2004 e 2014 –nesse período, o estado foi governador por Geraldo Alckmin, José Serra e Alberto Goldman, do PSDB, e Claudio Lembo, então no DEM e hoje no PSD.
A denúncia aponta que Brasil corroborou depoimento do delator da Odebrecht Fabio Gandolfo, que citou em 2017 repasses para campanhas de políticos como o então deputado estadual e atual vice-governador de São Paulo Rodrigo Garcia (DEM) e o ex-governador José Serra (PSDB).

Folhapress

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