16 de julho de 2019, 09:24

EXCLUSIVAA lição política da vaia em Angelo Coronel na Associação Comercial da Bahia

Foto: Divulgação

Angelo Coronel participou da solenidade de posse da nova direção da Associação Comercial, ontem, em Salvador

O episódio em que o senador Angelo Coronel (PSD) foi vaiado durante a posse da nova diretoria da Associação Comercial da Bahia, ontem à noite, mostra o quanto a luta contra a corrupção parece ter assumido mais importância do que a sobrevivência das empresas no país, como se fossem auto-excludentes.

Embora nem todos ali fossem empresários, Coronel falava, naturalmente, para uma elite. E deve ter se sentido confortável para criticar os alegados exageros da Lava Jato no dia em que o jornalismo econômico foi aberto com a notícia da provável falência da OAS, outra empresa de origem baiana profundamente abalada pela Operação.

Seu posicionamento deve ter seguido o raciocínio, muito lógico, segundo o qual o combate à corrupção deve atingir o CPF (de controladores, executivos, donos, CEOs), mas buscar preservar o CNPJ (das companhias), sob pena de destruir a economia e empregos, distinção com relação a que, comprovadamente, a Lava Jato não se preocupou.

O problema é que a narrativa, sensata e defensável, foi hoje apropriada pelo PT, partido do qual Coronel é aliado na Bahia, como forma indireta de condenar a Lava Jato e seus responsáveis – todos sob nível máximo de ataque no momento, depois das revelações do partidário Intercept Brasil – e tentar negar a existência do Petrolão.

Pelo visto, falhou plenamente a intuição do senador baiano ao achar que suas palavras poderiam ter tido acolhida numa casa de empresários de propósitos legitimamente corporativos. Num estado do ponto de vista eleitoral majoritariamente petista, a elite também chegou ao limite com o nível absurdo de institucionalização da corrupção no país.

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