12 de junho de 2019, 11:10

SALVADORPrefeitura intensifica trabalho junto a moradores de rua na Barra e outros bairros

Embora não volte para casa há 12 anos, ele tem na memória o endereço do imóvel nº 11, Rua Madeirite, Fazenda Coutos III, onde viveu com os pais até os 11 anos. Atualmente com 23, Jackson Leandro Santos é usuário de drogas e mora nas ruas de Salvador há mais de uma década. Sem um documento de identificação sequer, sobrevive de doações e perambula pelas vias da Barra. Ele foi uma das pessoas atendidas pela equipe da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre), que tem feito um trabalho diário junto a moradores de rua da Barra e outros locais da cidade. A dormida de Jackson é próxima ao Forte Santa Maria, onde se junta a outras pessoas na mesma condição de vulnerabilidade. Durante o trabalho de abordagem da Sempre, Jackson recebeu orientações para retirada dos documentos e possível encaminhamento a uma das dez Unidades de Acolhimento Institucional (UAIs). Questionado pela reportagem sobre o desejo de ter um lar, ele respondeu cabisbaixo. “Querer eu quero, mas não consigo”, disse. A escuta é feita pela assistente social da Sempre Cecília Oliveira, que tenta convencê-lo a se dirigir a uma das UAIs, espaços geridos pela Prefeitura para acolhimento das pessoas em situação de rua. “O ideal é que tivesse documento, mas caso demonstre o desejo de ir, nós orientamos para a retirada. A Defensoria Pública é nossa parceira e pode autorizar a entrada enquanto viabilizamos a documentação. O importante é que haja o movimento da pessoa em querer se dirigir as nossas unidades”, explicou a técnica. Adiante, ainda na Barra, duas educadoras da equipe de abordagem da Sempre tentaram conversar com mais pessoas que vivem na mesma condição de Jackson. Nascido em Recife, Ronaldo Gomes das Silva, 34 anos, está há quatro morando em Salvador. Após ficar órfão, ele deixou a irmã mais velha na cidade natal e tenta a vida nas ruas da capital baiana. Graças ao trabalho da Sempre, conseguiu tirar os documentos perdidos e dar entrada nos benefícios assistenciais. “Elas vieram aqui, me orientaram e agora voltei a ter identidade”, comemora.

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