6 de junho de 2019, 08:20

EXCLUSIVAConversas entre DEM e PCdoB?, por Raul Monteiro*

Foto: Reprodução/Facebook

Davidson Magalhães, do PCdoB, e Léo Prates, do DEM, almoçaram ontem em Salvador

Um encontro ontem entre o deputado federal Davidson Magalhães, do PCdoB, e o secretário de Combate à Pobreza de Salvador, Léo Prates, devidamente publicizado pelo segundo em suas redes sociais, mostrou que, se é verdade que as primeiras conversas com vistas à sucessão municipal de 2020 começam a se delinear, elas estão longe de serem pautadas por limites partidários e muito menos ideológicos. Pelo que se comenta na Praça Municipal, terreno onde hoje reina absoluto o líder político de Prates, o prefeito ACM Neto, presidente nacional do DEM, o comentário era de que o secretário atendeu a um convite do líder comunista para o almoço.

A bem da verdade, o encontro ocorre duas semanas depois de terem circulado informações de que Prates busca um outro partido, de onde poderia se preparar para eventualmente disputar a Prefeitura ou mesmo integrar uma chapa definida pelo hoje prefeito na condição de candidato a vice. Como se sabe, Neto tem hoje um candidato a prefeito que se chama Bruno Reis (DEM), por acaso, seu vice, mas naturalmente não pode focar apenas em seu nome para a disputa, devendo construir uma alternativa que seja para qualquer eventualidade e, pelas indicações fornecidas até agora, ela pode responder pelo nome do seu secretário de Combate à Pobreza.

Até aí a conversa gira em torno do que seriam os planos pensados para o seu grupo político pelo prefeito de Salvador. Fora dele, no âmbito de partidos como o PCdoB, a leitura e a conversa obedecem a outros parâmetros. No caso específico dos comunistas baianos, eles estão vendo o PT firmar posição no sentido de lançar candidatura própria à Prefeitura e o PSB se armar para capturar o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, por acaso um quadro que surgiu para a vida pública pelas mãos do atual prefeito, de quem foi primeiro secretário de Turismo e depois de Educação.

O movimento do PCdoB na direção de Prates, portanto, por mais que não signifique nada do ponto de vista concreto a dia de hoje, indica pelo menos que o partido não quer ficar para trás no jogo que se arma para a disputa do ano que vem, buscando inserir-se como um outro player no processo, provavelmente com um nível de abertura e penetração que suas candidatas naturais à Prefeitura, as deputadas Alice Portugal e Olívia Santana, não garantem. Apesar de marcharem desde sempre em campos opostos na Bahia, o partido e o DEM de Prates e Neto não andam tão distantes no campo nacional.

São conhecidas as articulações de que os comunistas participaram, por exemplo, para eleger o deputado carioca Rodrigo Maia (DEM) à presidência da Câmara dos Deputados, assim como da boa relação que o próprio Prates construiu com os vereadores do partido na época em que foi presidente da Câmara Municipal. Não deve ter sido por acaso que a vereadora do PCdoB Aladilce Souza aproveitou o post de Prates para questionar, em tom de brincadeira, se ele estava de partida para o PCdoB. Voltando ao secretário, embora saiba que a primazia para a disputa municipal no seu grupo seja de Bruno, não deixa de exibir credenciais de que circula com desenvoltura fora da caixinha em que o DEM é o líder.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

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