20 de maio de 2019, 11:04

BRASILPresidente de comissão da Previdência diz em Salvador que Bolsonaro precisa ser “chamado à ordem”

Foto: Política Livre

Deputado Marcelo Ramos conversa com Alice Portugal antes de se dirigir a plenário da Assembleia para debater Previdência

O presidente de comissão especial da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), criticou hoje em Salvador as manifestações convocadas para o próximo final de semana pela rede bolsonarista dizendo que se trata da “coisa mais surreal e sem pé nem cabeça” que já viu no país. “Os protestos são a favor da reforma contra quem é a favor da reforma”, observou, referindo-se ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, segundo ele, fará todo o esforço para aprovar a proposta em 60 dias na Casa. Ele avisou ainda que o Congresso não brigará com o presidente, ao analisar o texto distribuído por Bolsonaro em sua rede de WhatsApp, na última sexta-feira, dizendo que o país seria ingovernável sem conchavos, responsável pela abertura de uma nova crise. “O Brasil não é ingovernável sem cochavo, o país é ingovernável sem diálogo e sem respeito às instituições democráticas. O que ele (Jair Bolsonaro) demonstrou com aquela atitude foi desapreço pela democracia. Ele precisa ser chamado à ordem para entender que o Brasil é um país republicano, democrático e que tem um sistema de freios e contrapesos entre os Poderes”, declarou Ramos, acrescentando que o desapreço do presidente pela democracia não é deste momento da história. “Toda a trajetória pública dele mostra este desapreço pela democracia. Uma hora ele vai aprender”, disse Ramos, que veio a Salvador, a convite do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Leal (PP), debater a proposta de reforma da Previdência. Logo ao abrir o evento, Leal elogiou a presença do presidente da comissão especial na Casa e defendeu a reforma como fundamental para tirar o país da crise, mas ressaltou que não podem ser os mais pobres a pagar o custo mais alto da medida, referindo-se a propostas que afetam a previdência rural e o benefício de prestação continuada, assim como à capitalização e à desconstitucionalização, como impossíveis de serem apoiados pela população e seus representantes. Ramos, por sua vez, fez uma defesa contundente da proposta, observando que o país já protelou a medida demasiadamente, mas disse que estava ali para ouvir sugestões.

Comentários