20 de abril de 2019, 08:14

MUNDOProcurador liga suicídio de Alan García a depoimento de ex-diretor da Odebrecht

Foto: Reuters

Funeral do ex-presidente do Peru Alan García

O funeral do ex-presidente do Peru Alan García terminou ontem, após dois dias de velório, com uma cerimônia de cremação e a leitura de uma carta-testamento que indica que o líder da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra) premeditou sua morte. Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro nos desdobramentos da Operação Lava Jato no país, García, que presidiu o Peru por duas vezes, deu um tiro na cabeça ao receber uma ordem de prisão temporária em sua casa, em Lima, na quarta-feira. Sua carta só veio a público ontem. Foi lida pela filha, Luciana García Nores, em meio a centenas de militantes na Casa do Povo – sede do partido no centro de Lima. “Nossos adversários optaram por me criminalizar durante anos. Nunca encontraram nada. E agora os derrotei novamente”, escreveu. “Por muitos anos, me defendi de insultos e a homenagem dos meus inimigos era dizer que Alan García era inteligente o suficiente para que nada se prove contra ele.” No texto, García diz ainda que sua missão foi levar a Apra ao poder em seus dois mandatos (1985-1990 e 2006-2011). Ele exalta seu legado político e cita obras feitas, principalmente no seu segundo governo. “Deixo a meus filhos a dignidade das minhas decisões. A meus companheiros, um sinal de orgulho. E meu cadáver como uma mostra de desprezo a meus adversários, porque cumpri a missão para a qual me dispus”, concluiu García. Militantes e dirigentes da Apra veem na carta e no fato de García andar armado desde novembro – quando o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, recusou um pedido de asilo- um sinal de que ele tinha em mente o suicídio como resposta às investigações. No velório, aliados disseram que a atuação do Ministério Público peruano era parcial e patrocinada pelo governo do presidente Martín Vizcarra. “Quando o asilo foi negado, ele já sabia o que ia acontecer. Passou a andar armado, sentindo que tentariam prendê-lo. Era uma decisão que já estava tomada”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo o dirigente da Apra Germán Luna, ao fim do velório. Um procurador da força-tarefa da Lava Jato, ouvido pela reportagem em condição de anonimato, ligou o suicídio ao iminente depoimento de Jorge Barata, delator da Odebrecht no Peru. Barata deve falar com membros do MP a partir de segunda-feira, em Curitiba.

Estadão Conteúdo

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