15 de abril de 2019, 22:00

MUNDOPresidente francês promete reconstruir Catedral de Notre-Dame após incêndio

Foto: Julien de Rosa/EFE

A Catedral de Notre-Dame consumida pelo fogo

A Catedral de Notre-Dame, joia arquitetônica medieval e um dos pontos turísticos mais conhecidos de Paris, foi gravemente desfigurada nesta segunda-feira, 15, por um incêndio. Cerca de 400 bombeiros impediram o colapso total da igreja, que começou a ser construída no século 12 e sobreviveu a guerras, a revoluções, à ação do tempo e ao ingresso de 13 milhões de turistas por ano. Uma investigação preliminar indica que o fogo começou de maneira acidental na catedral mais visitada do mundo. Diante das chamas, os parisienses se reuniram nas margens do Rio Sena e sobre pontes para assistir, incrédulos, às chamas consumirem a catedral. Parte deles entoou a Ave Maria. Muitos choravam, enquanto o fogo se espalhava pelo prédio, que começou a ser construído em 1163 e foi concluído em 1345. O presidente francês, Emmanuel Macron disse: “Parte de nós queimou com a catedral”. O fogo começou às 18h50 (13h50 horário de Brasília) pouco antes de um discurso que Macron planejava fazer sobre os protestos dos “coletes amarelos”, que há meses desafiam seu impopular governo com protestos semanais. Ele seguiu para a catedral para acompanhar os trabalhos dos bombeiros. “Notre-Dame de Paris, presa das chamas, dor de toda uma nação”, escreveu o chefe de Estado no Twitter. Mais tarde, ele prometeu reconstruir a catedral juntamente com os franceses. “É o nosso destino”, disse. Segundo o chefe do Corpo de Bombeiros de Paris, Jean-Claude Gallet, o fogo começou no sótão da catedral, perto do pináculo de 45 metros de altura, que rapidamente foi destruído pelas chamas. Ao menos 400 bombeiros trabalharam no combate às chamas, cuja parte mais intensa levou mais de três horas. Segundo Gallet, as duas torres frontais da catedral foram salvas, mas dois terços do telhado foram destruídos. Obras de arte que ficavam no interior da igreja foram resgatadas pelos bombeiros. Algumas estátuas tinham sido retiradas há apenas algumas semanas para limpeza. O Ministério Público investiga as causas do incêndio. Uma investigação completa, no entanto, levará tempo. As primeiras questões levantadas sobre as causas do incêndio apontam para a falta de prevenção em uma edificação tão antiga e importante turisticamente, assim como para a falta de investimento em restauração. Notre-Dame recebia cerca de 30 mil turistas por dia e 13 milhões por ano. A busca por culpados deve também ser demorada, em uma França já dividida politicamente. Com a popularidade em baixa, Macron tem tido dificuldade para lidar com os “coletes amarelos”, que denunciam um suposto elitismo urbano que não atende as necessidades da população mais rural e conservadora. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

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