5 de fevereiro de 2019, 11:34

EXCLUSIVAPacote anticrime de Moro mostra que ministro serve à sociedade e não a governo

Foto: Reprodução/Arquivo

Ex-juiz Sérgio Moro é exemplo de total independência no cargo de Ministro de Estado

Há que se reconhecer a resiliência do ex-juiz Sérgio Moro. Não faltou quem apontasse seu suposto constrangimento, na condição de ministro da Justiça, quando vieram a público as revelações do COAF, órgão subordinado à sua pasta, sobre movimentações bancárias suspeitas do primeiro-filho de Jair Bolsonaro, Flávio (PSL), e de um seu ex-assessor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Fabrício Queiroz.

Declarações sobre o achado foram naturalmente exigidas a Moro, que evitou se posicionar de forma frontal sobre o caso. O mesmo se sucedeu quando o avanço do interesse sobre a parceria do senador Bolsonaro com Queiroz apontou suspeitas de vínculo do segundo com a turma da milícia e discursos em favor da organização criminosa surgida no Rio de Janeiro, além de homenagens a um de seus líderes foragidos, pelo primogênito do presidente.

Levantamentos feitos pela imprensa constatariam, em seguida, que nem o pai havia escapado dos encantos do miliciano. Num discurso de 2005, na Câmara dos Deputados, o velho Bolsonaro não só o defendeu como atacou um coronel PM que servira de testemunha chave para a abertura do primeiro processo de expulsão que o foragido enfrentou na Polícia Militar carioca. O calado Moro, no entanto, trabalhava em segredo. E muito.

No conjunto de medidas contra o crime que apresentou ontem a políticos, a milícia aparece tipificada como uma organização criminosa a ser combatida pelo Estado. Só depende de o Congresso confirmar a conceituação para virar lei o enquadramento criminal das organizações paramilitares que surgiram, formadas por ex-policias, policiais e bombeiros, à revelia do Estado, para combater o tráfico no Rio, mas acabaram elas próprias se convertendo em grupos de foras da lei.

Longe, portanto, de ter se constrangido ou de ter se submetido por ocupar um cargo de livre nomeação pelo presidente da República de plantão, com a iniciativa, Moro mostra que continua tão independente quanto quando atuou como magistrado, cumprindo, como ministro, uma missão de Estado em defesa da sociedade, não importa que possa estar ferindo suscetibilidades ou incomodando o responsável por sua indicação nem o seu entorno.

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