11 de fevereiro de 2019, 12:48

BRASILGuedes promete grandes reformas, manter gastos sociais e acabar com privilégios

Foto: Divulgação

Paulo Guedes

O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, prometeu encerrar anos de fracassadas intervenções do Estado, por meio de grandes reformas de livre mercado, no governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele concedeu uma “ampla entrevista” ao jornal de economia britânico Financial Times, em seu escritório em Brasília, para falar sobre o que pretende fazer para impulsionar a maior economia da América Latina. Mereceu, inclusive, chamada no alta da capa do periódico. O diário descreve Guedes como um ex-administrador de fundos que foi escolhido pelo presidente de direita para reacender a economia brasileira após a pior recessão de sua história. Ao periódico, disse que a reforma da Previdência economizaria R$ 1 trilhão em 10 anos e que deverá ser aprovada “dentro de cinco meses”. As mudanças nas regras de aposentadoria brasileira, sempre descritas como “generosas” pelo veículo britânico, seriam seguidas rapidamente, de acordo com o ministro, por uma reforma tributária e por um programa radical de privatização em que não haverá vacas sagradas. “Estamos indo em direção a uma economia voltada para o mercado”, disse o economista e professor de Matemática formado na Universidade de Chicago. “É parte de um processo econômico de melhoria. Qualquer um que não possa ver isso está interpretando mal o Brasil”. A vitória eleitoral de Bolsonaro, um ex-capitão do Exército que admira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e elogiou a ditadura militar do Brasil, foi amplamente vista como parte da mudança global para o nacionalismo de direita e uma ameaça à democracia brasileira. Guedes insistiu que isso era uma má avaliação. “É o contrário. Essa foi a minha mensagem em Davos”, disse ele. “O Brasil é uma democracia vibrante. A eleição de Bolsonaro mostrou isso”, continuou. Os desafios enfrentados pelo ministro incluem, segundo o FT, grande déficit fiscal, aumento da dívida pública, desemprego quase recorde que deixou cerca de 12 milhões de pessoas sem trabalho, baixa produtividade e uma recuperação econômica anêmica. No entanto, também pontuou o jornal, as contas externas estão amplamente equilibradas e as reservas externas estão em US$ 377 bilhões. O Financial Times recordou que a recessão e os escândalos de corrupção criaram o pano de fundo para uma eleição em que quase 60 milhões de brasileiros votaram em Bolsonaro, que promoveu os valores da família cristã, da anticorrupção e uma plataforma de lei e ordem de extrema-direita que repercutiu amplamente com um recorde de 64 mil homicídios em 2017. O recrutamento de Guedes como conselheiro econômico, continua o texto, marcou um ponto de inflexão na campanha, uma vez que trouxe investidores, grupos empresariais e empreendedores anteriormente céticos. “As pessoas me perguntaram: como um liberal pode se juntar aos conservadores? Eles só trarão desordem. Mas a desordem já está aqui: mais pessoas estão morrendo a cada ano do que os soldados americanos no Vietnã”, argumentou ele. “O presidente trará ‘ordem’, os liberais ‘o progresso'”, disse ele, referindo-se ao lema da bandeira do Brasil, “Ordem e Progresso”.

Estadão

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