6 de janeiro de 2019, 10:17

MUNDOSubornos pagos pela Odebrecht no Panamá superam US$ 100 milhões

Foto: JF Diorio/Estadão

Segundo ex-funcionário do banco suiço PKB, a Odebrecht era 'o cliente que todos queriam ter'

Investigações realizadas por autoridades panamenhas, com ajuda da Suíça, mostram que as propinas pagas pela Odebrecht no Panamá superaram US$ 100 milhões e foram duas vezes superiores ao que a Justiça dos EUA estimou, em 2016. O esquema da empreiteira brasileira envolveu pagamentos a mais de 70 pessoas, durante três governos diferentes. Os dados fazem parte do inquérito conduzido pelo Ministério Público do Panamá, que contou com extratos bancários e informações enviadas pela Suíça. Durante o período investigado, as obras da Odebrecht sob suspeita envolveriam contratos de mais de US$ 9 bilhões. São 21 licitações públicas vencidas pela empresa sob exame. As investigações esmiuçaram mais de 14 contratos no governo de Martín Torrijos, que terminou em 2009, e Ricardo Martinelli, entre 2009 e 2014. Já no atual governo de Juan Carlos Varela, que termina neste ano, são cinco obras sob análise, incluindo a Linha 2 do metrô avaliada em mais de US$ 2 bilhões. Segundo apuração do Estado, em dez dos 21 contratos, o preço final pago pelas autoridades do Panamá para a construtora ficou acima dos valores previstos no orçamento. Um dos casos foi um túnel de saneamento, que passou de US$ 139 milhões, em 2009, para US$ 384 milhões quando a obra foi entregue em 2013. Em outro caso, nas obras para a Linha 1 do metro, o orçamento final ficou mais de US$ 600 milhões acima dos US$ 1,4 bilhões estimados inicialmente. Já a estrada Don Alberto Motta passou de US$ 280 milhões, em 2007, para US$ 488 milhões, em 2014. A apuração do Estado identificou que uma parte substancial das informações partiu de forma espontânea dos suíços, que enviaram detalhes de contas e extratos bancários para que o caso pudesse ser investigado na América Central. Também foram consideradas as delações premiadas de ex-funcionários da Odebrecht no Brasil, a assinatura de um acordo com a empresa e confissões de outros suspeitos, como Mônica Moura, que trabalhou para campanhas eleitorais do PT. No Panamá, os procuradores também passaram a contar com o instrumento da delação premiada e os resultados indicaram subornos acima dos valores inicialmente conhecidos. A Odebrecht afirma que colaborou nessa fase do processo. Em 2016, o Departamento de Justiça dos EUA havia estimado que os pagamentos de propinas da Odebrecht no Panamá chegavam a US$ 59 milhões. Agora, mesmo com o inquérito ainda em andamento e faltando cerca de 20% para a investigação ser concluída, a marca dos US$ 100 milhões já foi ultrapassada.

Estadão

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