24 de janeiro de 2019, 21:31

MUNDOMaduro diz concordar com proposta de diálogo oferecida por México e Uruguai

Foto: Carlos Becerra/Bloomberg

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Considerado ilegítimo por parte da comunidade internacional, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mostrou-se nesta quinta-feira, 24, disposto a aceitar uma oferta de mediação feita pelos governos de México e Uruguai. Os dois países, governados pela esquerda, não reconheceram o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó como presidente interino, mas trabalham por uma transição pacífica no comando do país. “Os governos do México e do Uruguai propuseram uma iniciativa internacional para promover um diálogo entre as partes na Venezuela (…) Estou pronto para o entendimento”, afirmou Maduro diante do Supremo, onde recebeu o respaldo dos chefes dos poderes públicos. Não é a primeira vez que o chavista aceita o diálogo com opositores. Rodadas foram feitas na República Dominicana, sob mediação do ex-premiê espanhol José Rodríguez Zapatero. A oposição abandonou a negociação, alegando que o chavismo só desejava ganhar tempo. Hoje, Guaidó disse em entrevista em Caracas que não descarta a possibilidade de oferecer anistia a Maduro e seu gabinete. As declarações dos dois presidentes venezuelanos chegam em meio a uma escalada de violência que já deixou 26 mortos. A oposição considera que Maduro usurpou o poder por não ter sido escolhido em eleições consideradas transparentes pela comunidade internacional. Guaidó recorre ao artigo 233 da Constituição, onde se prevê que o presidente do Parlamento assume o Executivo na falta do líder deste. “É uma interpretação complexa do ponto de vista jurídico, com um fundo político muito complicado. O problema do país é uma crise de governabilidade”, explica o advogado constitucionalista Pedro Alfonso del Pino. Ele alega que este artigo não se aplicaria porque um processo eleitoral fraudulento não é o mesmo que “falta absoluta”. A oposição também usa os artigos 333 e 350, que estabelecem o “direito a rebelião e ao resgate do fio constitucional”. Alinhado ao chavismo, o procurador-geral, Tarek William Saab, criticou a decisão de Guaidó de se declarar presidente interino, mas não emitiu ordens de prisão. Depois de dias de silêncio, o ministro de Defensa, Vladimir Padrino López, disse que a autodeclaração de Guaidó é um “fato gravíssimo” e pediu uma saída constitucional ao que considera um “golpe de Estado”. Um dia após uma marcha que reuniu milhares em Caracas, as ruas estavam praticamente vazias hoje. No bairro de Chacao, na porta de um banco para receber aposentadoria, Norma Ron, de 71 anos, se mostrava preocupada. “É preciso seguir a vida. Queremos sair disso, mas dá medo. Mas se é para ficar pendurado, melhor que caia”, afirma, enquanto ao seu redor se conversa mais sobre o alto preço do queijo e sobre o supermercado mais barato, não de política. Maduro mandou fechar hoje a embaixada e os consulados dos EUA, ao mesmo tempo em que reiterou que os diplomatas americanos devem deixar o território venezuelano até o próximo domingo. Boa parte dos opositores de Maduro vive no exílio, principalmente em cidades como Miami. Hoje, o Departamento de Estado americano ordenou a partida dos funcionários não essenciais, por questões de segurança, mas disse que a embaixada permanecerá aberta. “Agora eles pretendem dizer ‘não reconhecemos o governo de Maduro’. O que vocês acham? Eles acham que já têm um enclave colonial na Venezuela, onde decidem o que lhes dá vontade? Não!”, exclamou o governante.

Estadão Conteúdo

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