10 de janeiro de 2019, 21:56

MUNDOEx-presidente da Nissan tem febre alta; família pede ajuda a Itamaraty

Preso desde novembro no Japão, o ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn está impedido de receber a visita de seus advogados sob a justificativa do centro de detenção de Tóquio de que o executivo brasileiro está doente. Em comunicado, a mulher de Ghosn, Carole Ghosn, afirmou que soube que o marido está com febre alta. Mas as informações, segundo ela, limitam-se a notícias da imprensa, já que ninguém da família pôde entrar em contato com Ghosn desde que ele foi detido. Em dezembro, o executivo foi acusado formalmente pela Promotoria japonesa de não ter declarado às autoridades locais quase 5 bilhões de ienes de seus rendimentos entre 2010 e 2015. O valor é equivalente a cerca de R$ 169 milhões. De acordo com Carole, as autoridades japonesas se recusam a dizer se o executivo foi transferido para uma enfermaria ou se será permitido à família falar com a equipe médica do centro de detenção de Tóquio. “Estou suplicando às autoridades japonesas que nos forneçam qualquer informação sobre a saúde do meu marido”, escreveu Carole. “Estamos com medo e muito preocupados que sua recuperação seja complicada, enquanto ele continua a suportar condições tão duras e tratamento injusto”. Para o advogado brasileiro do executivo, José Roberto Castro Neves, o caso agora é uma questão humanitária. “Há uma violação das garantias básicas, da integridade física de Ghosn. De acordo com Castro Neves, a família vai solicitar que o Itamaraty tome medidas. Em sua primeira aparição pública, durante depoimento à Corte Distrital de Tóquio, na segunda-feira, Ghosn, que entrou algemado, aparentava estar mais magro do que antes da prisão e exibia fios brancos na raiz de seus cabelos, conforme pessoas presentes na audiência. Em sua fala, o executivo, a quem é dado o crédito de ter resgatado a Nissan da beira da falência duas décadas atrás, disse que foi “equivocadamente acusado e injustamente detido com base em acusações infundadas e sem mérito”. Na última quarta-feira, foi a vez do jornal americano Wall Street Journal, em editorial, questionar a condução das investigações contra Ghosn. Na avaliação da publicação, trata-se de um dos casos “mais estranhos no mundo dos negócios”. Para o WSJ, a prolongada prisão do executivo é uma pressão crescente sobre a Renault para que destitua Ghosn de sua presidência – a montadora francesa tem uma aliança com a Nissan e a Mitsubishi Motors, liderada pelo brasileiro. “(…) Essa aliança incomoda cada vez mais os japoneses; é possível presumir que a inquisição sobre Ghosn seja parte de um esforço japonês para dissolver a aliança montada pelo executivo”, afirmou o jornal. Segundo o WST, os procuradores públicos estão adicionando acusações que necessitam de investigação, para que possam manter o executivo preso, nos termos das leis japonesas. Em referência à Alice no País das Maravilhas o jornal americano recorre à lógica da Rainha de Copas do clássico de Lewis Carroll para definir o tratamento dado ao executivo pela Justiça japonesa: “primeiro a sentença e depois o veredicto”.

Estadão Conteúdo

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