10 de novembro de 2018, 06:53

BRASILReforma da cozinha do sítio de Atibaia foi discutida no churrasco com Lula e empreiteiro, diz executivo

Foto: Márcio Fernandes/Estadão

Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), atribuído a Lula pela Operação Lava Jato

O pedido de reforma da cozinha do sítio de Atibaia foi feito à OAS durante um churrasco com empresários da empreiteira e o ex-presidente Lula, condenado e preso em Curitiba no âmbito da Lava Jato. Em depoimento à juíza Gabriela Hardt, o ex-diretor da OAS Paulo Gordilho, afirmou que o projeto da obra foi repassado por Fernando Bittar, o então proprietário do imóvel. “O Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula) e o Fernando Bittar mandaram comprar carne e eles fizeram um churrasco”, narrou Gordilho. “Sentamos numa mesa eu, o doutor Leo (Pinheiro, ex-presidente da OAS), o ex-presidente (Lula), o Fábio, o Bittar e dois ou três seguranças”. Segundo Gordilho, Fernando Bittar aproveitou a situação para repassar um projeto de reforma da cozinha do sítio. “Ele mostrou ao doutor Leo, que nem leu. Pegou o papel, passou pra mim: ‘Paulo, resolva isso’. Aí fui com o Bittar até o local da cozinha e ele me mostrou a ideia, que eu não sei se foi feita pela mulher dele (Lula) ou outra pessoa”, disse o ex-diretor. A reforma ficaria orçada inicialmente em R$ 210 mil, mas como seria pago em espécie, o valor caiu para R$ 170 mil. O ex-diretor afirma que visitava o local, onde dois funcionários realizavam os trabalhos, e ficou encarregado de garantir a reforma até o dia 28 de junho, data que Fernando Bittar e a família Lula planejava uma festa de São João no sítio. “Quem estava resolvendo tudo era dona Marisa, mas não comigo. Ela conversava sempre através de Fernando. Ele dizia: ‘Minha tia gostou, minha tia quer que bote isso’, esse tipo de coisa”, diz Gordilho. Segundo ele, a ex-primeira-dama, morta em fevereiro de 2017, costumava ser vista no sítio, ‘cuidando da horta’. Também foram interrogados pela juíza Hardt, sucessora de Sérgio Moro na Operação Lava Jato no Paraná, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato, e o executivo ligado à empreiteira Agenor Franklin.

Estadão Conteúdo

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