12 de outubro de 2018, 11:25

BRASILPropostas inacabadas de candidatos para economia preocupam empresários

Propostas vagas, sem explicações de como as medidas serão adotadas e falta de clareza nos programas econômicos dos candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), têm gerado incertezas nos setores produtivo e financeiro e podem afetar o desempenho já pífio da economia brasileira em 2018 e em 2019. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reviu na quinta-feira, 11, sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,6% para 1,3%. Há setores, como o de calçados, que estão ainda mais pessimistas. “Acho que será uma façanha se chegar a 1,0%”, diz Heitor KleiSegundo o Informe Conjuntural da CNI, que tem por base pesquisas com as empresas, as incertezas em relação ao programa econômico do futuro governo, em especial no que se refere ao ajuste fiscal, frearam também decisões de ampliação da produção, do emprego e do investimento. A CNI cortou de 3,5% para 2,2% a previsão de crescimento dos investimentos públicos e privados neste ano. “A propensão ao investimento tem caído desde março. Após o abandono da reforma da Previdência e, à medida que a eleição foi se aproximando, a incerteza com a economia ficou mais latente. O debate entre candidatos não focou na agenda econômica, mas em segurança e corrupção”, diz Flávio Castelo Branco, gerente executivo da CNI. Na opinião de Klein, os investimentos só virão quando o setor reduzir sua capacidade ociosa, de até 35%. Para isso, são necessárias medidas para diminuir o custo Brasil, que tira a competitividade da indústria nacional. Ele ressalta, porém que, hoje, as propostas dos dois candidatos “não são suficientemente claras e detalhadas a ponto de dar confiança”. Para Abram Szajman, presidente da Fecomércio-SP, “enquanto não houver detalhamento de propostas não dá para falar em investir. O dinheiro é medroso e covarde”.n, presidente da associação dos fabricantes de calçados, a Abicalçados.

Estadão

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