11 de outubro de 2018, 18:14

BRASILIrmão de senador ‘vendia influência por lucro’ em esquemas no SUS, diz PF

Foto: José Lucena / Futura Press

Para investigadores da Operação Cashback, empresário Murad Aziz, irmão de Omar Aziz (PSD/AM), se utilizava de poder e prestígio político em desvios que alcançam R$ 142 milhões do Sistema Único de Saúde no Amazonas

O empresário Murad Aziz, irmão do senador Omar Aziz (PSD/AM), ‘vendia prestígio’ para ‘auferir lucros’ em supostos esquemas descobertos pela Operação Cashback, quarta fase da Maus Caminhos, que mira desvios R$ 142 milhões do Sistema Único de Saúde do Amazonas. Entre os alvos da Operação Cashback estão empresários e políticos. Os investigadores citam o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB/AM) como um dos supostos envolvidos no esquema. O parlamentar está internado em um hospital de São Paulo. O irmão de Aziz é considerado foragido, segundo os investigadores. Segundo o superintendente regional da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, Murad Aziz é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. “O principal crime investigado nessa nova fase da Operação Maus Caminhos é o crime de peculato, no entanto, existem pessoas que fazem o trâmite, buscam a facilidade dentro do estado utilizando o poder e a influência política que detêm”, relata o delegado. O chefe da PF no Amazonas detalha o papel de Murad. “Alguns desses investigados vendiam essa influência e auferiam lucro retirado dessa atividade ilícita. Eles operavam para que o esquema se mantivesse e continuasse existindo. Estamos em investigação, encontramos indícios de que ele [Murad Aziz] operava nesse sentido”, diz. A Cashback é a quarta fase da Operação Maus Caminhos, deflagrada em 2016. Em janeiro deste ano, a PF deflagrou uma etapa da missão, denominada ‘Custo Político’, e chegou a prender o ex-governador José Melo (PROS) e a mulher dele, Edilene, que teria pago R$ 500 mil em dinheiro vivo por obras de reforma da mansão do casal em Manaus. Melo e a mulher, segundo os investigadores, teriam ocultado e destruído provas de um esquema de desvios de R$ 50 milhões da área da saúde. Segundo a Controladoria, com o avanço das apurações, foram identificados ‘novos fatos e prejuízos referentes à prática do retorno do dinheiro pago às empresas fornecedoras de produtos e serviços da ONG Instituto Novos Caminhos (INC) ao líder da organização criminosa, para que fosse redistribuído a título de propina aos agentes públicos e políticos’. A PF informou que os principais alvos da nova fase da Maus Caminhos são empresários. Entre as fraudes identificadas, a organização criminosa para o desvio de recursos públicos realizava pagamentos superfaturados em preço e/ou quantidade, com a posterior devolução de parte do valor pago. Por essa razão, o nome da operação policial faz alusão ao modelo de compras que devolve parte do dinheiro ao consumidor. Apenas em um dos contratos dessas empresas com o Estado do Amazonas, no valor de R$ 552 milhões, foi identificada fraude no valor de R$ 140 milhões. A Justiça Federal decretou bloqueios de contas e de sequestro de bens móveis e imóveis, acolhendo manifestação do Ministério Público Federal. De acordo com a Receita, há indícios de fraudes fiscais da ordem de R$ 100 milhões, cujas autuações podem alcançar R$ 75 milhões. Segundo a Controladoria, foram identificados desvios de recursos públicos da ordem de R$ 142 milhões.

Estadão

Comentários