15 de setembro de 2018, 11:55

BRASILVoto dividido e famílias em pé de guerra

Os almoços em família não têm sido os mesmos desde que o jovem engenheiro agrônomo Elliton Aguiar anunciou que, desta vez, iria votar em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente. A decisão, tomada de supetão após assistir ao capitão reformado participar de entrevista no Jornal Nacional, abalou parte de seus familiares. “Aqui é complicado, o pessoal é muito lulista”, diz ele, que agora anda batendo boca com a irmã e um primo nos convescotes domésticos toda vez que a conversa descamba para a política. O único a cerrar fileira com Aguiar é seu avô, dono de terras e ex-secretário de Limpeza Urbana da cidade de Chapadinha, quase na fronteira entre o Maranhão e o Piauí. “Ele sempre foi de direita, nunca votou no Lula, sempre achou que esse negócio de Bolsa Família ia estragar o povo”, afirma Aguiar, orgulhoso da tenacidade do avô diante da onda vermelha que varreu essa parte do Brasil desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Planalto pela primeira vez, em 2003. Na quarta-feira passada, dia 12, ele inaugurou o primeiro e único comitê de Bolsonaro nesta parte do Maranhão. Em uma pequena sala com duas mesas, cinco cadeiras, uma geladeira e um banheiro, espalhou adesivos, botons e camisetas do presidenciável do PSL. “Eu sou voluntário, mas a estrutura aqui está sendo financiada por um grupo de empresários da cidade”, diz, ele mesmo parte da elite empresarial da pequena cidade de 70 mil habitantes. “Eu tenho uma empresa de eventos com mais alguns amigos, fechamos um acordo com um deputado estadual, mas aqui estou de graça, porque acredito mesmo em Bolsonaro para mudar o Brasil, não aguentamos mais a corrupção e esses programas que fazem o povo não querer saber de trabalho, só de ter filhos”, diz ele, recém-formado no campus da Universidade Federal do Maranhão em Chapadinha, criado na gestão do agora candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, quando ministro da Educação. A sala onde está instalado o comitê foi cedida por um dos muitos empresários desse que é um importante polo econômico na divisa do Maranhão com o Piauí e vem se transformando em uma nova fronteira agrícola do Estado. “Aqui em Chapadinha, eu diria que 90% dos empresários estão com Bolsonaro”, diz Gaudêncio Gomes, o dono da pequena saleta e de um supermercado, um hotel e uma lotérica na cidade.

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