9 de agosto de 2018, 21:31

BRASILPolícia apura envolvimento de 3 deputados em morte de Marielle, diz revista

Foto: Renan Olaz

A ex-vereadora Marielle Franco (PSOL)

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse à revista Veja que a Polícia Civil do Rio investiga o envolvimento de três parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) nos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março. Os deputados seriam Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do MDB. Os três foram presos no ano passado durante a Operação Cadeia Velha, acusados de integrar um grupo que desviava recursos em contratos no transporte público carioca. Picciani cumpre prisão domiciliar, enquanto Albertassi e Paulo Melo estão no presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio. “É assustador, mas não posso eliminar nenhuma possibilidade”, disse o deputado ao site da revista Veja. Ao telejornal RJTV, da TV Globo, Freixo foi ainda mais incisivo. Ele lembrou que entrou com uma ação na Justiça no ano passado para barrar a indicação de Edson Albertassi para uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O parlamentar acabaria preso dias depois. A ação seria o motivo para o crime. “Eu já tinha denunciado com ações o grupo do PMDB há muito tempo. Eu nunca ganhei na Justiça uma ação contra esse grupo. Dessa vez, eu ganhei. Dessa vez, eles foram impedidos de assumir o Tribunal de Contas. Isso gerou uma consequência que eles foram presos. Evidente que algo se quebrou. Alguma coisa mudou na relação dentro da Assembleia Legislativa, que certamente gerou ódio e raiva, isso tem de ser investigado”, disse Freixo à Globo. O Estado tentou contato diretamente com o deputado e também por intermédio de sua assessoria, mas não obteve retorno. Em 14 de junho deste ano, Marcelo Freixo e procuradores do Ministério Público Federal do Rio foram chamados para uma reunião com os delegados Fábio Cardoso, diretor da Divisão de Homicídios, e Giniton Lages, encarregado das investigações. Os investigadores perguntaram ao deputado e procuradores se eles estariam dispostos a depor no inquérito sobre a morte da vereadora. Todos concordaram. Haveria uma linha de investigação focada nos três deputados medebistas. Procurada, a Polícia Civil limitou-se a informar via assessoria que “as investigações (do caso Marielle) estão sob sigilo”. Em nota, a assessoria do deputado Edson Albertassi afirmou que a acusação se trata “de hipótese fantasiosa, indigna de fé” e avisou que “contra tamanha irresponsabilidade serão tomadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal”. A defesa de Jorge Picciani não se posicionou até o início da noite. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Paulo Melo.

Estadão Conteúdo

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