10 de agosto de 2018, 18:27

ECONOMIACom tensão na Turquia, dólar fecha em R$ 3,86 e Bolsa cai 2,86%

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar teve alta de 1,75%, e está cotado a R$ 3,86

A crise deflagrada após as declarações do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e da decisão de Trump de sobretaxar o aço e alumínio turco provocaram forte aversão ao risco, que contagiou o mercado internacional e penalizou os ativos brasileiros nesta tarde. Internamente, também pesou o desconforto com o cenário eleitoral. A Bolsa de Valores fechou o dia em queda de 2,86%, aos 76.513,35 pontos. Já o dólar teve alta de 1,75%, cotado a R$ 3,8681. “Uma parte do contágio é por similaridade, uma vez que muitos investidores têm portfólio em países emergentes. Se um sofre, como a Turquia, as pessoas ficam ariscas com o outro”, disse um operador ao explicar a queda do Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo. Em meio a um discurso nacionalista, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu que a população troque dólares, euros e ouro que tiverem por liras turcas “para que possamos responder de modo apropriado como uma nação”. A sinalização de Erdogan de que não haverá aumento de juros no país agravou as vendas da lira, com o presidente argumentando que o aperto nas condições monetárias traria “sofrimento” para o país. Além de uma iminente crise cambial, com o dólar cotado a mais de 6 liras e renovando sucessivas máximas históricas, as indicações de que Erdogan pode interferir na independência do banco central preocupa investidores. Tentando acalmar os mercados, o ministro de Finanças da Turquia, Berat Albayrak, afirmou nesta sexta-feira que o governo garantirá a independência do banco central. O cenário se agravou ainda mais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que irá dobrar as tarifas sobre o aço e o alumínio da nação euro-asiática, o que intensificou a pressão vendedora de ações europeias. O Banco Central Europeu (BCE) havia demonstrado preocupação com a exposição de bancos europeus à Turquia, segundo o Financial Times, em meio ao quadro inflacionário e à ausência de medidas de controle econômico por parte da autoridade monetária do país. Entre os bancos citados pelo BCE, está o italiano UniCredit, que detém participação majoritária no turco Yapi ve Kredi Bankasi, além do espanhol BBVA, que possui quase metade do Garanti Bank, e do francês BNP Paribas, que controla 72,5% do TEB, entre outras instituições do setor financeiro que têm negócios com empresas turcas. Com a tensão, as bolsas europeias também encerraram o pregão desta sexta-feira em desvalorização. O índice pan-europeu Stoxx-600 não resistiu e fechou a sessão em queda de 1,07%, aos 385,86 pontos, com perda semanal de 0,85%. Alemanha e Itália foram as praças que lideraram o movimento de vendas em solo europeu, com o índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, em queda de 1,99%, aos 12.424,35 pontos, e recuo semanal de 1,52%, e o índice FTSE-MIB, de Milão, em baixa de 2,51%, aos 21.090,78 pontos, e perda semanal de 2,30%. Outros mercados também sofreram com a situação turca. O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,97%, aos 7.667,01 pontos, embora tenha apresentado avanço semanal de 0,10%. O índice CAC 40, de Paris, recuou 1,59%, aos 5.414,68 pontos, e perda de 1,17% na semana. Na Bolsa de Madri, o Ibex-35 teve queda de 1,56%, aos 9.602,10 pontos, com perda de 1,41% na semana, ao passo que, em Lisboa, o PSI-20 recuou 0,24%, aos 5.628,60 pontos, mas apresentou ganho semanal de 0,62%.

Estadão Conteúdo

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