12 de agosto de 2018, 10:19

BRASILChefe do setor de propinas da OAS relata entregas de até R$ 250 mil do Rodoanel Norte

Foto: Divulgação

José Ricardo Breghirolli afirmou à Polícia Federal que a demanda para entrega de dinheiro em espécie chegava a ele 'à medida em que ocorriam as medições na obra' de responsabilidade da Desenvolvimento Rodoviário S/A

Apontado como chefe do departamento de propinas da OAS, o executivo José Ricardo Nogueira Breghirolli, afirmou à Polícia Federal de São Paulo que fez entregas de até R$ 250 mil em dinheiro ‘vinculado’ ao Rodoanel Trecho Norte aos seus superiores na empreiteira. As declarações foram prestadas no âmbito da Operação Pedra no Caminho, que mira supostos desvios na Desenvolvimento Rodoviário S/A. Esses valores teriam sido transformados em propinas para agentes públicos. Breghirolli é um dos delatores da empreiteira que tiveram o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Ele e outro executivo, Matheus Coutinho de Sá, admitiram ter chefiado uma espécie de departamento de propinas da empreiteira, semelhante ao que foi descoberto dentro da Odebrecht. O executivo citou outros executivos da OAS, Yves Verçosa e João Muniz. O chefe da propina da empreiteira afirmou que, na função de operador de ‘caixa dois’ da OAS se recorda de haver repassado dinheiro em espécie diretamente a Yves e depois a João Muniz, ‘sempre com a ciência de Carlos Henrique Barbosa Lemos’. Segundo o delator, a ‘demanda para entrega da dinheiro em espécie chegava ao declarante à medida em que ocorriam as medições na obra do Rodoanel Norte’. Breghirolli afirma que ‘ao longo do ano de 2013 e janeiro e fevereiro de 2014, entregou dinheiro em espécie a Yvez e João Muniz, vinculado à obra do Rodoanel Norte em uma periodicidade aproximada de uma vez ao mês, em valores de R$ 70 mil a R$ 250 mil por mês em cada uma das vezes’. O delator narra que assim que entregava os valores a Yves e João Muniz abatia do ‘ficha-razão’ da obra, uma espécie de contabilidade interna da OAS, na qual eram lançados todos, os débitos e créditos da obra’. Relatou que ‘esses valores em espécie repassados por ele e que, no entanto, havia uma porcentagem de 25% sobre os repasses em espécie que deveria debitar da contabilidade denominada ficha-razão’. Segundo o colaborador, ‘por exemplo, quando entregava cem mil reais em espécie a João Muniz ,debitava cento e vinte e cinco mil reais do ficha-razão’. Breghirolli diz que ‘isso acontecia porque para gerar dinheiro em espécie o setor de projetos estruturados necessitava firmar contratos com prestadores de serviços e pagar os respectivos impostos’ e que ‘portanto esse valor de 25% tinha por finalidade cobrir esses custos’. Ele diz que isso ocorria em todas as obras da empresa. Leia mais no Estadão.

Estadão

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