11 de julho de 2018, 20:31

ECONOMIAGuerra comercial faz dólar fechar em R$ 3,87

Foto: Marcelo Casal Júnior/Agência Brasil

O dólar subiu 1,91% e fechou o dia cotado a R$ 3,8755 nesta quarta-feira, 11

O dólar subiu 1,91% e fechou o dia cotado a R$ 3,8755 nesta quarta-feira, 11. O cenário se deu em meio ao ambiente de aversão ao risco no exterior, depois que os Estados Unidos ameaçaram adotar novas tarifas sobre produtos da China, enquanto investidores seguiram atentos a possível atuação extraordinária do Banco Central. Já a Bolsa fechou em queda de 0,62%, aos 74.398,55 pontos. O bom desempenho de ações específicas, como Eletrobrás e bancos, impediu uma queda maior do principal índice de ações da B3. Os negócios somaram R$ 9,8 bilhões. O real foi a segunda moeda no mundo que mais perdeu valor ante o dólar, nesta quarta-feira, 11, atrás apenas da divisa da Turquia. Após a decisão de Trump, Pequim falou que vai retaliar e analistas começaram a especular que uma das formas seria sobretaxar o petróleo comprado dos EUA, o que ajudou as cotações da commodity a despencarem em Londres e Nova York, acentuando o movimento de aversão ao risco. Com a pressão para a alta da moeda vinda do exterior, o Banco Central ficou novamente de fora do mercado de câmbio, marcando o 13º dia seguido sem ofertas extraordinárias de novos contratos de swap (venda de dólar no mercado futuro). Nesta quarta, a instituição fez, assim como vem fazendo nos últimos dias, apenas a rolagem de contratos, em operação que somou US$ 700 milhões. Exportadores que venderam dólares no último pregão e ajudaram a moeda cair 1,71%, para R$ 3,80, reduziram suas operações nesta quarta, enquanto os importadores intensificaram as compras, segundo operadores de câmbio. “O governo Trump mais uma vez abalou os mercados de câmbio”, afirma o diretor em Nova York da área de moedas da BK Asset Management, Boris Schlossberg. Para ele, a reação dos mercados só não foi pior porque a decisão de Trump de mais tarifas ainda é uma proposta, não uma medida efetiva. “Os mercados esperam que o estilo característico de negociação de Trump, ‘de fazer muito barulho e depois recuar’, possa resultar em menos danos do que se pensava inicialmente”, avalia ele. Para o economista de mercados emergentes da consultoria Capital Economics, William Jackson, a piora das tensões comerciais entre Washington e seus parceiros pode começar a ter efeitos diretos nos mercados emergentes, principalmente na Ásia. “Estamos nos movendo para um estágio onde as tarifas podem começar a ter um efeito mais palpável na atividade dos emergentes”, ressalta ele. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

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