13 de junho de 2018, 10:29

EXCLUSIVA“Favorita” em licitação de Centro de Convenções fazia obra quando antigo desabou

Foto: Divulgação/Arquivo

Maquete do Centro de Convenções que deve ser erigido no espaço do Antigo Aeroclube

Responsável pela apresentação de uma proposta com valor 21% abaixo do estipulado pela licitação, a empreiteira Metro Engenharia e Consultoria, que lidera um consórcio interessado na construção do novo Centro de Convenções na Orla de Salvador, é a mesma que executava o serviço de revitalização no antigo espaço na Boca do Rio quando ele acabou desabando, em setembro de 2016, o que provocou sua interdição pelo governo do Estado.

O consórcio liderado pela Metro é integrado ainda pela Construtora BSM, a Qualy Engenharia, a BMF Engenharia e a Controltec Engenharia. Além de a proposta, bem abaixo do que o que previsto para a construção da obra pela Prefeitura, ter classificado o grupo em primeiro lugar, no quesito preço, chamando bastante a atenção do mercado de construção na Bahia, outro detalhe tem intrigado especialistas do setor.

É o fato de, segundo eles, o grupo não ter apresentado os atestados técnicos exigidos pela concorrência. Seriam itens de “steel deck”, estrutura metálica e esquadrias em pele de vidro em proporções e medidas tais a que a proposta formulada pelo consórcio não atenderia. Depois da abertura dos valores, assumiu o segundo lugar na concorrência o consórcio formado pela Andrade Mendonça e a Axxo, empatado com um outro da MRM.

O aparente favoritismo do consórcio liderado pela Metro, por causa da proposta de preço mais baixo, teria possivelmente motivado a circulação de uma mensagem apócrifa, distribuída pelo WhatsApp, em que se chama a atenção para o risco de o grupo se tornar vitorioso e assumir uma obra de porte tão grande com destinação pública pela qual circularão milhares de pessoas, quando estiver funcionando plenamente.

Como o governo demorou em apresentar uma solução para o problema na época da interdição do Centro de Convenções, quando anunciou que faria um novo espaço, na área em que funcionou o Aeroclube, a Prefeitura foi bastante elogiada pelo trade turístico. Depois de sugerir vários locais para reerguer o Centro de Convenções, em seguida, a secretaria estadual de Turismo também anunciou que o reconstruiria no Parque de Exposições, na Paralela.

Em 2017, um ano depois do desabamento, um laudo pericial solicitado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), a pedido do jornal Correio, indicou que o desmoronamento ocorreu por falta de manutenção. “(…) a falta de manutenção adequada da estrutura proporcionou efeitos irreversíveis na oxidação do aço, o que causou o rompimento da estrutura no local do acidente”, disse trecho do documento.

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