17 de maio de 2018, 08:00

EXCLUSIVALula, o candidato paralelo, por Raul Monteiro*

Foto: Reprodução/Arquivo

Lula quando de sua condução à prisão

A insistência com que o ex-presidente Lula se agarra à idéia de sua candidatura à Presidência, inviabilizando qualquer projeto alternativo no PT, apesar de, além de preso, estar declaradamente impedido de concorrer à luz da lei da Ficha Limpa, o transforma no máximo num candidato paralelo, no que isso tem de referência máxima àquele ministério paralelo com que seu partido, numa jogada de marketing que logo se esvairia na época, tentou se contrapor à equipe de governo do então presidente Fernando Collor de Mello, que ganhara a presidência da República para o petista em 1989.

Sem dúvida, como um autêntico candidato paralelo, sem poder efetivo de concorrer, se mostrar à sociedade ou tomar iniciativas pertinentes a qualquer postulante, o máximo em que Lula se transforma é num espectro, ou numa idéia, infelizmente para ele, não aquela em que julgou que poderia transmutar-se com a prisão, mas tal qual algo que não existe, a não ser na imaginação dele próprio e daqueles que o seguem cegamente, galeria em que se perfilam personalidades realmente exemplares em vários sentidos, como a presidente nacional do PT, senadora Glesi Hoffman (PR).

A estratégia que Lula deflagra a partir da prisão, é evidente, não pode resultar em nada concreto, a menos num grande prejuízo para o seu partido e os poucos nomes com alguma capacidade de tentar dar alguma sustentação ao chamado projeto petista, a despeito da derrota moral e política de toda a sua plataforma, a partir de equívocos que envolvem desde a escolha de uma figura como Dilma Rousseff para sucedê-lo até e, principalmente, os estragos que causou na economia e nas finanças do país, hoje à vista de todos, apesar da tentativa ideológica de os atribuírem ao atual e igualmente triste governo.

Numa excelente reportagem veiculada ontem, a revista Piauí fez um cálculo básico sobre o quanto o PT perdeu até agora com a indefinição que a imposição de Lula produz. Chegou à conclusão de que desde o momento de sua prisão, em 7 de abril, foram jogadas no lixo mais de quatro horas de exposições em debates, as quais teriam custado à candidatura petista uma audiência de pelo menos 310 mil eleitores na tevê aberta só na Grande São Paulo, segundo levantamento feito a partir de dados do Ibope. Na internet, a situação também teria seu custo mensurável para o lulo-petismo.

O cálculo da Piauí é que o PT deixou de participar de sabatinas na internet com público médio de 100 mil pessoas até agora, num processo que só deve se ampliar à medida que a pré-campanha avance, cobrando, naturalmente, seus custos para aqueles que se deixam submeter às idiossincrasias lulistas. A dúvida hoje deve ser saber até que ponto Lula vai conseguir impor a seu partido e a seguidores os ditames do que acha conveniente, uma vez que se torna cada vez mais improvável que obtenha algum habeas corpus capaz de liberá-lo do cárcere em Curitiba.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna.

Raul Monteiro*

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