16 de maio de 2018, 07:30

ECONOMIAEscalada do dólar estressa emergentes

A contínua valorização do dólar e o temor de desaceleração na China provocaram turbulência em mercados emergentes na última terça-feira, 15, que se manifestou em quedas nas Bolsas de Valores e desvalorização do câmbio. A cotação da moeda americana foi impulsionada pela alta dos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, que alcançaram o maior patamar desde 2011. O dólar registrou nesta terça uma alta de 1,96% em relação ao rand sul-africano. Em relação à lira turca, o aumento foi de 1 81%. O dólar também avançou 1,29% no Chile e 0,99% no Brasil, onde fechou em R$ 3,66. A Argentina foi o único emergente a registrar ganho no câmbio.Depois de se desvalorizar ao longo de 2017 e início de 2018, o dólar ganhou força a partir de março, o que aumentou o valor, em moeda local, das dívidas contraídas pelos setores público e privado dos mercados emergentes. A rápida valorização pode ter um efeito desestabilizador, dada a relevância do câmbio para grande parte desses países.Retornos mais elevados dos títulos do Tesouro dos EUA também aumentam o estresse sobre os emergentes, já que funcionam como um fator de atração de capital, ao elevar o retorno sobre o que é considerado o investimento mais seguro do planeta. Na terça-feira, o rendimento desses papéis chegou a 3,09%, superando a barreira psicológica de 3% que dispara alarmes nos mercados.David Beckworth, especialista em política monetária do Centro Mercatus da George Mason University, ressaltou que estrangeiros detêm US$ 10 trilhões em dívidas denominadas em dólar, que ficam mais caras em moeda local cada vez que o câmbio se deprecia. “A Argentina, por exemplo, precisa de mais pesos para pagar sua dívida em dólar. Esses países não podem imprimir dólares. Eles precisarão ganhar dólares por meio do comércio.”Em sua avaliação, a tendência de apreciação da moeda americana continuará no curto prazo. “Os dados sobre atividade econômica nos EUA estão relativamente mais fortes do que o de outras regiões. Além disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continuará a subir os juros. Os dois fatores contribuem para um dólar mais forte”, observou Beckworth, que espera mais três altas dos juros nos EUA até o fim do ano.

Estadão

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