15 de maio de 2018, 21:50

BRASILComissão da Câmara avalia normas de proteção contra assédio no esporte

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados foi palco, nesta terça-feira (15), de debate sobre o assédio no esporte brasileiro. Por mais de quatro horas, parlamentares e representantes de entidades ligadas a atividades esportivas discutiram a adoção de medidas de proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual. A deputada Érika Kokay (PT-DF) cobrou da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o cumprimento de pacto contra exploração, abuso e tráfico de crianças e adolescentes nos clubes esportivos, assinado em 2014. No documento, a confederação comprometeu-se a adotar 10 medidas para evitar casos de abuso sexual e tráfico de jovens jogadores em categorias de base e escolinhas de futebol. Na ocasião em que foi assinado, o pacto teve o propósito de aproveitar a Copa do Mundo para deixar um legado de proteção dos direitos infantojuvenis no país. Entretanto, o pacto ainda não foi integralmente cumprido pela instituição. Ao fazer um balanço do andamento do pacto, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, criticou trechos da medida assinada e disse que há pontos que não foram atingidos e que não seriam de integral responsabilidade da instituição. A sugestão do secretário é que o pacto seja revisto e adequado à realidade do esporte no país. “Veja a complexidade disso: se aparecer um [caso de] assédio em uma escolinha, o assédio é responsabilidade nossa [CBF]? Nós não temos condições, mas talvez a prefeitura tenha, a secretaria de Esporte, os conselhos tutelares, eventualmente os clubes esportivos locais – e se propõe aqui que haja uma ligação maior entre os clubes e essas escolinhas – mas este é um sistema em formação. Não dá para um pacto resolver isso e pedir alguns anos [para] que a resposta seja dada. É bem mais complexo do que isso, e eu queria colocar a dificuldade”, destacou Feldman. Érika questionou o comprometimento da confederação com o pacto assinado. “Como a CBF assinou todos esses compromissos, se não poderia cumpri-los? Ela estava querendo enganar quem? Então, porque assinou? ”,questionou a deputada, que é autora do Projeto de Lei 9622/18, que condiciona o recebimento de patrocínio de bancos públicos pelos clubes de futebol e associações esportivas à adoção de medidas de proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual.

Débora Brito e Heloisa Cristaldo, Agência Brasil

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