13 de março de 2018, 15:15

BRASILProjeto para recuperar presos do Rio foi usado para crimes, diz Lava Jato

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, afirma que um projeto de ressocialização de presos do Sistema Penitenciário fluminense “foi usado como instrumento para o cometimento de crimes licitatórios e de lavagem de capitais”. A Operação Pão Nosso, deflagrada nesta terça-feira, 13, prendeu sete investigados – dentre eles o ex-secretário de Administração Penitenciária César Rubens Monteiro de Carvalho (Governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão) e o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada do Rio, delegado Marcelo Luiz Santos Martins. As investigações partiram de irregularidades no projeto Pão-Escola, cujo objetivo é a ressocialização dos presos. A empresa Induspan, vinculada ao empresário Felipe Paiva, foi inicialmente contratada para executar o projeto, mas o contrato foi rescindido porque havia desequilíbrio financeiro. O Estado fornecia insumos para a produção dos pães, os presos forneciam a mão de obra, com baixo custo para a empresa, que fornecia lanches para a Secretaria a preços acima do valor de mercado. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, decretou a prisão de Paiva na Operação Pão Nosso, mas ele não foi encontrado. Investigadores informaram que o empresário estaria em Portugal. Segundo a Lava Jato, após a rescisão do contrato, Paiva criou, por meio de laranjas, a OSCIP Iniciativa Primus, que sucedeu a Induspan no fornecimento de lanches em presídios do Rio. Inspeção do Tribunal de Contas do Estado identificou que o esquema prosseguiu. Mesmo com a identificação das irregularidades, César Rubens de Carvalho autorizou prorrogações de contrato com a Iniciativa Primus. Os investigadores estimam que o dano causado à Secretaria seja de R$ 23,4 milhões.

Estadão Conteúdo

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