12 de março de 2018, 16:57

EXCLUSIVANeto, Rui e o trunfo de cada qual, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui e ACM Neto em foto de arquivo

Na convenção do DEM em que foi empossado presidente nacional da agremiação, na última quinta-feira, em Brasíllia, o prefeito ACM Neto teve glorificada não apenas sua competência política e parlamentar, iniciada na capital federal como deputado ao lado de alguns dos mais antigos representantes de seu partido, inclusive do próprio avô, ACM, como a sua capacidade administrativa, caracteristica baseada na gestão da Prefeitura de Salvador, para a qual foi reeleito com mais de 70% dos votos, demonstração da aprovação do eleitorado ao seu estilo de governar.

Nos discursos que antecederam o seu próprio, o penúltimo da fila, antes apenas do daquele que deveria ser a estrela da festa, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), Neto foi citado como exemplo de gestor por praticamente todos, do senador Ronaldo Caiado (GO), ao ministro Mendonça Filho, da Educação, passando pelo do antecessor que lhe entregou a faixa presidencial democrata, o senador Agripino Maia (RN), para quem, no auge do petismo e da necessidade de o DEM se reconceituar, a legenda só não foi destruída pelo talento de seus líderes, galeria em que fez questão de colocar o sucessor.

Não é preciso dizer que quanto mais os discursos se sucediam e azeitavam a empada de Neto, festejado como líder político e administrativo, mais a turma de assessores, autoridades e políticos baianos que foram ao evento exclusivamente prestigiá-lo se animavam num ritmo que fatalmente chegaria ao êxtase, caso ele tivesse feito uma pequena menção que fosse à possibilidade de ser candidato ao governo do Estado, motivo porque provavelmente grande parte dos enviados presentes ao auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, se acotovelaram por horas de calor intenso para vê-lo.

Em termos genéricos e menos explícitos, é exatamente o fato de expressar as duas lideranças – a administrativa e a política – que leva os principais defensores da candidatura do prefeito ao governo do Estado a se empolgaram com a idéia de que ele pode enfrentar nas urnas, com chances de sucesso, o governador Rui Costa (PT), cuja competência é reconhecida pelos adversários apenas no campo da gestão. Aliás, não só por eles, mas também pelos próprios aliados do governo, para os quais, não fosse a capacidade de gerir bem a máquina estadual, Rui enfrentaria dificuldades para liderar seu próprio grupo.

Trocando em miúdos, para o time do prefeito e, nele, entre aqueles que não vêem a hora de ele assumir sua candidatura, a situação representa um grande diferencial para ACM Neto que, caso consiga dar-lhe expressão no jogo específico da disputa eleitoral, poderá marcar ampla vantagem em relação ao concorrente. O problema agora parece ele próprio se convencer disso e caminhar na direção do sim, anúncio do qual só se vai tomar conhecimento a partir desta semana, quando começa o calendário que montou para decidir e depois revelar o que fará em relação à sucessão estadual.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna.

Raul Monteiro*

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