13 de março de 2018, 07:00

BRASILMarcos Valério assina acordo de delação com Polícia Civil de Minas

Foto: Divulgação

Marcos Valério

O ex-empresário Marcos Valério Fernandes, pivô dos mensalões mineiro e federal, depois de tentar com a Polícia Federal, assinou acordo de delação premiada com a Polícia Civil de Minas Gerais. A proposta, no entanto, ainda precisa ser homologada pela Justiça do Estado. Segundo informações da corporação, a delação envolve supostas irregularidades cometidas em estatais mineiras como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) entre 1998 e 2014. A maior parte dos governos nesse período foi do PSDB, que, em nota, classificou a acusação de “perseguição política”. A delação negociada com a Polícia Federal, enviada para a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início do segundo semestre do ano passado, também abordava supostas irregularidades cometidas na administração estadual. Os autores seriam políticos com foro privilegiado. Já o acordo negociado com a Polícia Civil, segundo informado pela própria corporação, não envolve pessoas com foro privilegiado e foi fechado com informações envolvendo o mensalão mineiro. O acordo com a Polícia Civil, conforme o advogado de Marcos Valério, Jean Kobayashi, está sendo fechado dentro do processo do mensalão mineiro, que investiga desvio de recursos de estatais de Minas Gerais, via empresas de publicidade de Marcos Valério, para a campanha pela reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo do Estado em 1998. Marcos Valério, que cumpre pena de 37 anos e 5 meses de prisão pelo envolvimento com o mensalão federal, ainda aguarda sentença pelo envolvimento no mensalão mineiro. Azeredo foi condenado a 20 anos e 1 mês de prisão, em segunda instância, e aguarda julgamento de recurso em liberdade. Minas Gerais foi governada de 1995 a 1998 por Eduardo Azeredo (PSDB), de 1999 a 2002 por Itamar Franco, que morreu em 2011, de 2003 a março de 2010 pelo hoje senador Aécio Neves (PSDB). A partir daí, até 4 de abril de 2014, pelo também senador Antonio Anastasia (PSDB), e até o fim do mandato pelo seu vice, Alberto Pinto Coelho, à época no PP. Em nota, o PSDB afirmou ter protocolado nesta segunda-feira, 12, “petição no Ministério Público de Minas Gerais para que seja investigada a procedência de notícias de que a Polícia Civil estaria negociando um acordo de delação premiada com Marcos Valério”. O partido afirma que “Valério está associado ao governo do PT para perseguir adversários políticos”, e afirma que a proposta de delação premiada de Valério foi recusada pela PGR e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) “pela falta de credibilidade das informações e do próprio delator”. Informado sobre o posicionamento do PSDB, o governo de Minas afirmou, por meio da Advocacia-Geral do Estado, que “desconhece a representação citada pela reportagem”.

Estadão

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