8 de fevereiro de 2018, 07:00

ECONOMIAQueda da Selic não alcança crédito

Enquanto os juros básicos estão em um patamar historicamente baixo, após a decisão desta quarta-feira, 7, do Banco Central (BC), que levou a Selic para 6,75% ao ano, os juros bancários seguem elevados para padrões internacionais, e o consumidor ainda demora a sentir essa diferença nas taxas cobradas pelos bancos.A taxa média cobrada em operações de crédito no Brasil no ano passado foi de 25,6% ao ano. A do rotativo de cartão de crédito chegou a 334,6% ao ano e a do cheque especial 323% ao ano. Na prática, uma dívida de R$ 5.000 no rotativo transforma-se em R$ 5.650 após um mês. No caso do cheque, ela passa para R$ 5.640.Embora bancos também reduzam os juros quando a Selic cai, há uma defasagem entre a medida tomada pelo Copom e o custo dos empréstimos aos clientes. A taxa média de juros de crédito consignado cobrada dos trabalhadores do setor privado, que é uma das modalidades mais vantajosas no mercado, por exemplo, era de 39,8% em dezembro de 2017 – um ano antes, estava em 42,7%.”Há um descasamento entre a atividade econômica e a tomada de crédito. O mercado de trabalho é o último a reagir depois de uma crise, o que leva a uma lentidão na reação dos salários nominais da renda e da informalidade. Tudo isso é mensurado pelas instituições na hora de conceder crédito. O banco não olha apenas os juros básicos, mas a capacidade que o cliente tem de pagar o empréstimo”, segundo Maurício Godói, da Saint Paul Escola de Negócios.Ele avalia que a partir do segundo trimestre deve haver uma redução mais expressiva dos juros cobrados para o crédito. “Vai cair, mas, de qualquer modo, não acompanha a Selic. “Segundo o economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Nicola Tingas, é preciso considerar que a economia costuma funcionar no curto prazo. “O risco é alto, porque o nível de planejamento tanto das pessoas quanto das empresas é baixo.

Estadão

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