1 de fevereiro de 2018, 08:40

EXCLUSIVALula e PT querem transformar eleição num furdunço, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-presidente Lula

A pesquisa Datafolha desta quarta-feira funcionou como um verdadeiro lenitivo para o PT e os lulistas de quatro costados, depois do golpe da condenação em segunda instância de Lula, na semana passada, mas não se pode atribuir apenas aos mais recentes números confirmando o favoritismo do petista na corrida presidencial a estratégia de mantê-lo até o fim e, sob qualquer custo, como candidato à sucessão de Michel Temer (MDB). Na verdade, o que o petismo pretende é levar às últimas consequências o enfrentamento à decisão judicial que tornou o ex-presidente inelegível à luz da Lei da Ficha Limpa.

No limite, a intenção do partido, conforme se fala ainda reservadamente, é jogar todas as fichas para garantir a eleição do petista já no primeiro turno, o que, sob o imbróglio judicial que a manutenção de sua candidatura pode provocar, será capaz de embaralhar o processo eleitoral a tal ponto que resulte, inclusive, na convocação de novas eleições. O plano político do petismo é ousado, mas, traçado nos bastidores com a ajuda de advogados da área eleitoral e penal, leva em conta casos de candidatos que se elegeram apesar de, à luz da legislação, estarem inelegíveis ou até presos, condição que não se descarta mais para o ex-presidente na própria sigla.

A avaliação no PT, como bem expressou ontem em entrevista o presidente do partido na Bahia, Everaldo Anunciação, é que ninguém pode impedir o registro da candidatura de Lula, ainda que ex-presidente esteja em plena batalha recursal ou na prisão. Estaria aí, portanto, a brecha para que o partido e o ex-presidente ajam no sentido de conturbar o processo eleitoral enquanto buscam aumentar o apoio à candidatura e, na avaliação dos petistas, mostrar para a população que sua condenação, na realidade, não passa de uma perseguição a um líder político popular que, pela primeira vez na história desse país, ousou enfrentar as elites.

Se deu uma ajuda extra para as intenções do PT de manter a luta por Lula nas eleições, mesmo com o cenário judicial completamente contrário às pretensões partidárias, o Datafolha também serviu para mostrar que a idéia de um plano B, que seria representado pelo ex-governador Jaques Wagner, é uma verdadeira furada, como o próprio praticamente definiu os 2% de intenções de voto que a consulta captou para ele. Ontem à noite, Wagner tratou de, pelas redes sociais, informar ao distinto eleitorado que, segundo suas palavras, “não está nessa”, preferindo concorrer ao Senado para ajudar na reeleição do governador Rui Costa (PT).

Com percentuais que tais, não poderia ser outra a saída do ex-governador. Se o direciona para um projeto mais factível e concreto do ponto de vista eleitoral, a candidatura de senador de Wagner praticamente sela o afastamento de um dos partidos da base da chapa com que o governador disputará a reeleição. Trata-se do PR, que pretendia atrair quadros do PP afim de emplacar o deputado federal Ronaldo Carletto na segunda vaga de senador no grupo de Rui. Uma das consequências é a abertura de um canal da agremiação, por exclusão, com o time do prefeito ACM Neto (DEM), que deve enfrentar o governador nas urnas em outubro.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna.

Raul Monteiro*

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