8 de fevereiro de 2018, 07:30

ECONOMIACom juro baixo, conservador se arrisca em renda variável

O achatamento da taxa de juros tirou o investidor brasileiro da zona de conforto. O ciclo de queda da Selic, que nesta quarta-feira, 7, desceu mais um degrau, a 6,75% ao ano, esmagou a rentabilidade de boa parte dos ativos de renda fixa – que antes eram sinônimo de ganho fácil. Produtos como o Tesouro Selic, CDBs e fundos DI com taxas de administração mais salgadas agora se igualam ou até perdem para a caderneta de poupança, instigando até o investidor mais conservador a dar seus primeiros passos na renda variável.De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), fundos de renda fixa com resgate de seis meses a um ano só ganham da poupança quando a taxa de administração é menor que 1% ao ano. Acima de dois anos, os fundos só são vantajosos se tiverem taxas de até 1,5% ao ano. A poupança agora sai na frente desses produtos pois é isenta de Imposto de Renda (IR).Segundo cálculos da professora de finanças e sócia da BSG DuoPrata, Betty Grobman, descontado o IR, uma aplicação de R$ 10 mil num CDB de um banco de grande porte que rende 89% do CDI (taxa que anda de mãos dadas com a Selic) daria um retorno, em um ano, de R$ 10.472,80 – praticamente o mesmo que a poupança, que renderia no período R$ 10.472.50. O cardápio dos investimentos mais conservadores só fica mais interessante quando se olha os produtos de bancos menores – que, por apresentarem mais risco, oferecem um ganho maior, com rendimento acima de 100% do CDI.”Com esse movimento dos juros, os bancos serão forçados a baixar as taxas de administração de seus fundos de renda fixa, à medida que crescerem os resgates dessas aplicações”, afirma Miguel Oliveira, diretor da Anefac. “A Selic caiu muito, mas as taxas estão praticamente no mesmo patamar, de 2% a 3% ao ano.”

Estadão

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