5 de fevereiro de 2018, 09:52

EXCLUSIVAA chapa de Neto, por enquanto, por Raul Monteiro*

Foto: Montagem Política Livre

Zé Ronaldo, prefeito de Feira, e Jutahy Magalhães Jr. são os dois únicos nomes consolidados na chapa de Neto

É entre março e abril, portanto depois deste fevereiro carnavalesco, que o prefeito ACM Neto (DEM) se prepara para anunciar se deve ou não concorrer ao governo do Estado nestas eleições. Exatamente por não ser uma decisão fácil, que implica em renúncia e risco, é que em alguns momentos o democrata parece que vai se dispor a disputar e, em outros, que preferirá cumprir o mandato até o fim como prefeito. Seus amigos e correligionários, no entanto, garantem que ele é candidatíssimo e prepara apenas o momento que considera mais adequado para se lançar ao governo.

São eles também que, muitas vezes, dizem que não gostariam de estar na pele do prefeito por considerarem que Neto pode estar vivenciando o maior dilema de sua vida, exatamente o de ser ou não ser candidato. De fato, caso renuncie ao cargo de prefeito, concorra e ganhe o governo contra o PT, como fez quando conquistou a Prefeitura pela primeira vez, em 2012, Neto vai se transformar no político mais importante da Bahia, com menos de 40 anos, criando um grupo político sólido e poderoso que poderá dar as cartas no rumo do Estado por, no mínimo, uma década, por baixo.

A eventual derrota, no entanto, pode jogar-lhe num vácuo cheio de desafios, entre os quais o mais arriscado parece ser o de que terá que ficar fora do jogo político, sem um mandato para chamar de seu, por, no mínimo, quatro anos, tempo demasiadamente longo para qualquer carreira política. Ainda que não tenha definido exatamente o que fazer, Neto já tem pelo menos um esboço da chapa com que pretende se lançar, na qual já estão consolidados pelo menos dois nomes, além do dele. São o do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, também do DEM, e o do deputado federal Jutahy Magalhães Jr., do PSDB.

O primeiro é cotado para candidato a vice, podendo atrair os votos da região de Feira de Santana, e o segundo, uma aposta do PSDB para uma das duas vagas ao Senado. Ambos já começaram a trabalhar seus nomes e parecem satisfeitos com os resultados. Com essa primeira conformação, estaria em aberto apenas a outra vaga ao Senado, que Neto estima que pode dar ao PP ou ao PR, partidos que estão na base do governador Rui Costa (PT), mas com os quais conversa com frequência, principalmente no plano nacional. Com a decisão do ex-governador Jaques Wagner (PT) de se lançar candidato ao Senado na chapa de Rui, um deles deve ficar fora da chapa do governador.

A situação abriria espaço para uma negociação entre a legenda excluída e o prefeito. Mas como não pode esperar a definição do PP ou do PR e precisa caminhar, no caso de assumir a candidatura, o prefeito tem plenas condições de completar a chapa em seu próprio grupo, colocando um nome como o do ex-governador Paulo Souto (DEM) ou o da deputada federal Tia Eron (PRB), sua secretária de Ação Social, para disputar a outra vaga disponível ao Senado. Um dos dois pode seguir com ele até o fim ou então ser eventualmente substituído no caso de as negociações com o PP ou o PR prosperarem e resultarem num apoio oficial de um deles ao nome do prefeito.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna.

Comentários