4 de janeiro de 2018, 10:15

EXCLUSIVADebate medíocre de um pobre país, por Raul Monteiro*

Foto: Facebook

Lula posta foto se exercitando, acompanhada de legenda em que diz que sua saúda nunca esteve tão boa

É curioso, para não dizer lamentável, que 2018 comece no Brasil sob o falso dilema sobre se Lula poderá ou não ser candidato à Presidência em outubro. Trata-se da confirmação de que o país está efetivamente fora do mundo ou muito mal inserido nele. Afinal, é essa a grande questão que, infelizmente, se coloca para os brasileiros em todos os espaços por onde se circula. O país encerrou o ano que passou sem iniciar nenhum grande debate sobre como melhorar o seu presente e se preparar para o futuro, a não ser aqueles produzidos pela polarização política e ideológica e a luta contra a corrupção, na qual o petista figura como alvo da Justiça.

É muito pouco. Na verdade, é uma discussão infinitamente pequena para quem queira se constituir como uma Nação. No fundo, revela, de maneira aterradora, o quanto a sociedade brasileira depende do Estado e da política para sobreviver. Em qualquer lugar civilizado do mundo, a página já estaria virada com relação a um agente público que perdeu as melhores oportunidades com que a sorte o agraciou para efetivamente transformar a vida das pessoas, projetar o país para as décadas seguintes, e deixar um legado pelo qual mesmo a parte mais preconceituosa e mesquinha da sociedade se sentisse obrigada a congratulá-lo.

No Brasil, no entanto, permanece como um fantasma, gerando insegurança e embalando sonhos desvairados e pesadelos. De fato, imaginar que um político tem o direito de voltar a governar o país, apesar do envolvimento em malfeitos denunciadas pela Polícia e o Ministério Público e confirmados pela Justiça, só porque teve a iniciativa, durante os seus mandatos, de contemplar os mais pobres com esmolas travestidas de programas sociais é o cúmulo do subdesenvolvimento, cujas marcas estão por toda a parte, da profunda desigualdade social até a indigência moral e intelectual, passando pelo privilégios absurdos de que muitos desfrutam às custas da maioria.

Ainda mais porque Lula, com seu projeto hoje escancaradamente populista, tirou de uma vez por todas a máscara e acena com a possibilidade de aprofundar ainda mais o déficit fiscal que é a principal herança do governo da criatura Dilma Rousseff e seguramente o grande responsável pela grave crise econômica da qual o país dá os primeiros sinais de que pode se recuperar, embalado, diga-se de passagem, por um governo inconfiável, que se guia, como o noticiário mostrou por agora, por raposas como José Sarney, entre outras, e por mais sacrifício da população sofrida e espoliada pelo desemprego e a falta de oportunidades.

Em 2018, ao invés de se preocupar com quem deve se candidatar ou eleger à Presidência, quando mais se o favorito nas pesquisas é um condenado pela Justiça, o país deveria estar debruçado sobre outra agenda, destinada a avaliar os motivos que o levaram a descer a ladeira tão brutalmente quando se propagava que o desenvolvimento era o seu destino, avançar na diminuição do Estado perdulário e, ao mesmo tempo, fortalecer a sociedade por meio da educação, incentivando a construção de uma cultura cidadã e ética, sem a qual eleições periódicas terão muito pouco a contribuir com sua transformação numa Nação.

* Artigo de autoria do editor Raul Monteiro publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

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