4 de dezembro de 2017, 11:05

EXCLUSIVAFábio, Rui e os investimentos na Saúde, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/GOVBA

Cardiologista Fábio Villas Boas

Provavelmente a escolha mais técnica feita por Rui Costa (PT) para o seu secretariado, o cardiologista Fábio Villas Boas provocou polêmica com as primeiras medidas que adotou ao assumir a posição de titular da pasta da Saúde. No início do governo, chegou a enfrentar uma oposição ferrenha de parte do PT, grupo este que comandara por oito anos com mão de ferro o setor e, por este motivo, não desfrutava da simpatia do governador, ao contrário do novo secretário, que contava com sua confiança absoluta e compartilhava com ele o propósito de desmontar a rede que se criara na pasta e, ao mesmo tempo, promover um verdadeiro up grade nela.

Interessados em que o secretariado se equivocasse, cometesse erros, se desgatasse e fosse mandado para casa pegaram pesado no desejo de que as medidas que anunciava se inviabilizassem todas, prevendo um caos no sistema que o PT montara antes na Saúde. Não deram trégua a Fábio até que praticamente completasse um ano como secretário, quando se convenceram de que seu projeto de permanecer na secretaria, e o do governador que lhe fizera o convite para reformar todo o sistema, eram para valer. Com efeito, tratava-se de uma novidade para os dois.

Reconhecendo sua inexperiência no setor público, Fábio decidiu consultar alguns amigos importantes da área de saúde no país antes de aceitar o convite que Rui lhe fizera durante uma viagem que empreendera para fora do Brasil logo depois de eleito. De um deles, talvez o mais destacado, ouviu que não se preocupasse com o fato de, como todo médico, não ter tido preparo em sua formação para gerir. O mais importante, na opinião do conselheiro, era manter o foco nas pessoas. Quase três anos depois de ter deixado uma vida consolidada de médico para se tornar secretário, Villas Boas não se arrepende da virada.

Muito menos Rui Costa. O início de uma série de inaugurações que estão marcando a abertura de quatro novas policlínicas e dois novos hospitais na Bahia que serão, segundo cálculos do governo, referência para 4 milhões de baianos, vem sendo comemorado por ambos como uma transformação radical no sistema de atendimento de saúde pública no Estado. A primeira policlínica foi entregue em Teixeira de Freitas, agora em novembro, para atender a Região do Extremo Sul. No último dia 24, a população de Guanambi e municípios do seu entorno receberam a nova unidade que vai ampliar o sistema na região.

Já neste mês de dezembro, foi inaugurado o hospital de Seabra. Falta o de Ilhéus, bem como as policlínicas de Irecê e Jequié. As policlínicas fazem parte dos Consórcios Públicos de Saúde, uma iniciativa do governo da Bahia, com recursos próprios, que assume 40% de sua manutenção, arcada nos outros 60% pelos municípios consorciados, cujo objetivo é levar atendimento especializado e exames de alta complexidade ao interior, evitando, com isso, o deslocamento de pacientes para os grandes centros. Fábio diz que a mudança da face da saúde no Estado só está começando. E Rui, mais satisfeito, não poderia estar.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro

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