12 de setembro de 2017, 08:35

BRASILGoverno ataca representante da ONU por comentários sobre corrupção

O governo de Michel Temer fez um duro e raro ataque contra o mais alto representante da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, sugerindo até mesmo que ele teria se baseado em “desinformação”. Na segunda-feira, o alto representante da ONU disse que o “escândalo” de corrupção no Brasil revela como o problema está profundamente enraizado em “todos os níveis de governo” e ameaça a democracia. “Não podemos, em especial, deixar que desinformação nos leve a falsas conclusões”, alertou a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, nesta terça-feira. “Discordamos fortemente do comentário apressado, injustificado e injusto que ele (Zeid) fez sobre o Brasil em seu discurso circulado ontem”, afirmou. O Brasil foi um dos 40 países citados por Zeid ao abrir os trabalhos do Conselho de Direitos Humanos da ONU por conta de diversas violações. A menção ao Brasil foi feita explicitamente no contexto da corrupção e seus impactos. Ao responder, a embaixadora garantiu que o Brasil está “seriamente engajado em uma luta contra a corrupção que deixa evidente, para que todos vejam, não apenas nosso apreço à Justiça e ao estado de direito, mas também ao fortalecimento de nossas instituições democráticas e ordem constitucional”. Atacando a forma de o Conselho de Direitos Humanos agir, o Brasil ainda indicou que está “engajado em discussões” para que o processo na ONU seja baseado em um “diálogo construtivo” e na “busca de soluções sensatas”. “A eficiência desse órgão não dependente apenas de seu valor intrínseco, mas também na adequação de suas decisões”, afirmou. Citando Zeid, ela ainda disse que, se a história for um guia, a era do medo e perplexidade pode gerar “divisão e rejeição” entre a comunidade internacional. “Contra essa onda, reitero o compromisso do Brasil em promover uma ordem mundial multilateral, equitável e baseada em regras, onde a proteção e promoção de direitos humanos são salvaguardas”, disse.

Estadão

Comentários