1 de agosto de 2017, 08:32

EXCLUSIVARui exonera Josias e Torres para ajudar Temer e degola Robinson e Davidson

Foto: Divulgação/Gov/Ba

Rui conduz reunião em que recomenda à bancada governista no Congresso se abster na votação contra Temer

Determinado a marcar posição contra a queda de Michel Temer (PMDB), o governador Rui Costa (PT) liberou ontem a ala da bancada governista integrada pelo PP, o PSD e o PR a votar como quiser a denúncia contra o presidente da República no Congresso e mandou um recado ao seu partido, ao PSB e ao PCdoB de que não contarão mais com ele no esforço de derrotar o peemedebista no Congresso. Para isso, exonerou os secretários Josias Gomes (Relações Institucionais) e Fernando Torres (Desenvolvimento Urbano) para que voltem à Câmara a tempo de tomar parte na votação da denúncia sem prejudicar o presidente.

A manobra fará com que deixem a Câmara dos Deputados no período da análise da denúncia contra Temer os suplentes Robinson Almeida (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB), que assumiram seus mandatos nas vagas abertas com a nomeação de Josias e Torres ao secretariado e estavam opondo resistência à idéia de não colaborar para afastar o presidente da República. A decisão do governador foi tomada ou melhor, construída coletivamente, segundo um parlamentar governista, ontem à noite, numa reunião convocada por Rui com a bancada governista para discutir o assunto, da qual Robinson saiu mais cedo sem saber da decisão e Davidson não participou.

Divulgado oficialmente pela assessoria do governador como um evento em que ele recebeu a solidariedade da bancada baiana devido ao “boicote” que o governo federal estaria fazendo em relação à liberação de recursos para a Bahia, o evento na prática serviu para deixar claro que, como não há chance nem viabilidade de ocorrerem eleições diretas no país hoje, como deseja o PT, o governador e as principais lideranças do partido, a exemplo do secretário e ex-governador Jaques Wagner (Desenvolvimento Econômico) preferem esperar a sucessão de 2018 a deixar que o democrata Rodrigo Maia, presidente da Câmara, suceda Temer.

O argumento da cúpula do petismo é que, além de tão “golpista” quanto Temer, Maia vai promover uma guinada mais à direita no país, retomando a agenda das reformas praticamente sepultada com a fragilização de Temer, podendo ainda, com a ajuda da Rede Globo, se viabilizar para a disputa de 2018, desbancando Lula como candidato favorito à Presidência da República, na hipótese da condenação judicial do ex-presidente por lavagem de dinheiro e corrupção passiva não ser confirmada em segunda instância. Localmente, Rui tem ainda mais um motivo para não desejar que Rodrigo suceda Temer.

Trata-se da relação fraterna do democrata com o prefeito ACM Neto (DEM), principal adversário do governador nas eleições estaduais do ano que vem. Além de Rui e Wagner, outra liderança que teve peso decisivo na posição assumida na reunião pelo governador foi o senador Otto Alencar (PSD). Apesar de, curiosamente, ter se tornado um crítico constante do governo Temer no Congresso, atacando publicamente, entre outras medidas, a reforma trabalhista, Otto defendeu na reunião que a saída do presidente agora não seria a melhor opção neste momento para o governo nem os planos políticos futuros de Rui.

Josias deve se abster de votar contra o presidente, o que ajuda no placar final em favor de Temer, ao passo que os deputados das demais legendas devem votar contra a denúncia ou também não se posicionar na votação da abertura do processo contra o presidente da República. No encontro, o governador deixou claro que a posição era exclusivamente política e não visava barganhar nenhum tipo de apoio à Bahia junto ao governo federal, cuja interlocução tem sido feita com o Estado exclusivamente com seu adversário maior, ACM Neto.

Para demonstrar isso, repetiu que, apesar das dificuldades, por causa do foco na gestão, o caixa do governo está sob controle e antecipou que, se saírem os R$ 600 milhões já acertados com o governo federal, cuja liberação estaria prevista para hoje, e mais investimentos privados que vem tentando captar junto a grupos empresariais chineses, conseguirá dar partida a um plano que inclui a construção de várias estradas e outras obras infraestruturais no Estado.

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