1 de agosto de 2017, 11:52

EXCLUSIVARui e os suplentes que “se acham”, Robinson e Davidson

Foto: Divulgação/Arquivo

Apesar de dever mandato de deputado a Rui, Robinson tentou tirar onda com governador e seu deu mal

Com a decisão de suspender temporariamente o mandato dos suplentes Robinson Almeida (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB), que decidiram se opor à sua orientação de ajudar a manter Michel Temer (PMDB) na Presidência, o governador Rui Costa (PT) deu uma demonstração clara de que paciência tem limite e não tolera ingratidão.

A avaliação é feita entre deputados que participaram do encontro de ontem à noite no qual Rui anunciou que tomaria a medida por meio da exoneração dos secretários Josias Gomes (Relações Institucionais) e Fernando Torres (Desenvolvimento Urbano), que reassumirão os mandatos de deputados no lugar dos dois apenas para ajudar na manutenção de Temer.

No PT, a medida extrema do governador foi vista também como a única alternativa ao seu alcance para colocar Robinson em seu devido lugar. Primeiro, porque o petista deve seu mandato exclusivamente a Rui, que atendeu a um apelo do secretário Jaques Wagner (Desenvolvimento Econômico) para permitir que Robinson tomasse posse.

Em segundo lugar, porque a articulação política de Rui notara cedo que, além de fazer carga contra a estratégia que o governador vinha aos poucos desenhando em relação ao presidente da República, Robinson passou a influenciar abertamente os demais deputados petistas contra o interesse do gestor neste ponto.

Na semana passada, a fim de abrir a discussão com a bancada petista e permitir a construção de uma saída coletiva sobre o caso, o secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, chamou um encontro da bancada petista com o governador. Na reunião, Robinson assumiu praticamente a liderança da posição contra Temer.

Petistas contaram a este Política Livre que, no encontro, até o deputado Afonso Florence, que foi líder do PT na Câmara, teria sido menos incisivo contra a posição, aceitando respeitosamente os argumentos de Rui de que, se não havia chance de eleições diretas, era melhor manter Temer do que ajudar na ascensão de Rodrigo Maia (DEM).

Para completar, depois do evento com o governador, Robinson espalhou por Salvador vários outdoors anunciando seu voto contra Temer. “Não sabemos se ele (Robinson), com os outdoors, queria constranger o governo ou marcar sua posição pessoal. O fato é que esta iniciativa não foi, de modo algum, bem vista no Palácio de Ondina”, disse um deputado que participou da reunião.

Para ele, Robinson criou um problema ainda maior para si por não ter conseguido entender que, como alguém que ficou na suplência e com uma votação muito abaixo da do último petista eleito, deve o mandato de deputado exclusivamente ao governo, sem espaço para desenvolver uma carreira solo no Parlamento, como parece que era a sua intenção.

Depois de ter aguardado no sol e na chuva mais de dois anos por uma chance de se tornar deputado, a oportunidade apareceu para o ex-secretário de Comunicação de Jaques Wagner na reforma administrativa feita por Rui em janeiro passado, quando o ex-governador fez um apelo ao atual para que o ajudasse a tomar posse, por meio da nomeação de mais um deputado ao secretariado.

Apesar de considerar Robinson presunçoso e excessivamente competitivo, o que sentira de perto quando os dois trabalharam como secretários de Wagner, Rui acabou cedendo quase contra a própria vontade, segundo se comenta no governo. Só não esperava que o novo deputado passasse a lhe criar problemas na primeira chance, fato que também teria surpreendido o padrinho de Robinson.

Suplente da mesma forma que o petista, Davidson Magalhães é outro que deve o mandato ao governador, mas não precisou se expor, porque a posição contrária a Michel Temer foi externada na reunião de ontem pela deputada federal comunista Alice Portugal. Ainda assim, o governo teria informações que não deixam Davidson bem na fita com o governador.

Corre à boca pequena no governo que o parlamentar tem pedido a deputados estaduais da base para informar a prefeitos do interior em cujas cidades tem interesses eleitorais que recursos provenientes do governo federal obtidos pelo governador tem sido intermediados exclusivamente por ele. “Agora, ele (Davidson) quer fazer média com a opinião pública”, critica um colega de bancada.

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