9 de agosto de 2017, 11:05

BRASILRodrigo Maia ‘pula’ Argolo e chama terceiro suplente à Câmara

Foto: Divulgação

Luiz Argolo

A vaga de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) na Câmara Deputados cruzou com a Operação Lava Jato. Primeiro da fila para assumir a cadeira, Luiz Argolo foi ‘pulado’ pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM). Nas eleições de 2014, Argolo ficou com a vaga de suplente da coligação. Desde abril de 2015, ele está preso pela Lava Jato, no Paraná. Na sexta-feira, 4, Maia enviou ofício ao juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato, para saber do paradeiro de Argolo. O magistrado informou que ele está encarcerado. Segundo a Câmara dos Deputados, como Argolo não pode assumir o cargo, será convocado o terceiro suplente da coligação, Colbert Martins, do PMDB. Isso porque o segundo suplente já está em exercício. Imbassahy foi nomeado ministro da Secretaria de Governo em fevereiro deste ano. Na semana passada, o tucano foi exonerado do cargo para votar a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva no caso JBS. Após a votação, Imbassahy voltou ao governo e abriu uma vaga para suplente. Luiz Argolo ficou com a vaga de suplente após receber 63.649 votos, pelo Solidariedade, em 2014 – na ocasião, ele já era alvo da Lava Jato. O então parlamentar fez parte da coligação DEM / PMDB / PSDB / PTN / SD / PROS / PRB / PSC. Cerca de seis meses depois da eleição, Argolo foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. O ofício do presidente da Câmara a Moro tem o título ‘Informação sobre a situação jurídico-processual do senhor João Luiz Correia Argolo dos Santos, suplente de deputado federal’. “Solicito a Vossa Excelência seja informado a esta Casa se o senhor João Luiz Correia Argolo dos Santos, eleito suplente de deputado federal para a 55.ª Legislatura pela Coligação DEM / PMBD/ PSDB/ PTN /SD/ PROS / PRB / PSC – Estado da Bahia, se encontra submetido a medida privativa de liberdade imposta por esse Juízo. Esclareço que tal informação é necessária em virtude do surgimento de vaga na bancada correspondente à referida Coligação, o que pode ensejar a convocação do Suplente seguinte àquele na ordem estabelecida pela Justiça Eleitoral”, pediu Rodrigo Maia. O ofício do presidente da Câmara foi enviado pelo secretário-geral da Mesa, Wagner Soares Padilha, às 14h45 da sexta-feira, 4. Horas depois, o juiz da Lava Jato respondeu a Maia, informando que Luiz Argolo ‘foi condenado criminalmente por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro’. A condenação imposta por Moro foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). Argolo pegou 12 anos e oito meses de prisão. “Pende recurso especial interposto ao Superior Tribunal de Justiça pela defesa”, destacou Moro. “Permanece ele preso, cumprindo provisoriamente a pena imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região no Complexo Médico Penal de Curitiba, estabelecimento penal de regime fechado.” Luiz Argolo foi condenado por Moro em 16 de novembro de 2015. A sentença apontou que a propina paga a ele foi de R$ 1.474.442,00. Segundo a denúncia, Argolo recebeu vantagem indevida do doleiro Alberto Youssef – delator da Lava Jato – por diversas vezes entre 2011 a 2014, por entregas em espécie ou depósitos bancários. A sentença imputa a Argolo seis operações de lavagem de dinheiro ‘consistente nos repasses e recebimentos, com ocultação e dissimulação, de recursos criminosos mediante utilização de contas de pessoas interpostas e depósitos bancários estruturados’.

Estadão

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