10 de agosto de 2017, 09:49

EXCLUSIVAO risco do “Volta, Wagner! puxado por Angelo Coronel

Foto: Facebook

Angelo Coronel não pára de agitar a cena política com idéias

Um estilo muito despachado de atuar, que reúne independência e habilidade, transformou o presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel (PSD), numa espécie de novidade na cena política baiana, ou num tipo muito particular de Enfant Terrible. A ponto de ter despontado naturalmente em seu partido como nome mais evidente para compor a chapa com que o governo deve disputar a reeleição, em 2018.

Por este motivo, não se deve desconsiderar quando Coronel sai a campo e propõe um movimento como o “Volta, Wagner”, pelo qual o atual secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-governador é convocado a disputar o governo em lugar do titular e candidato natural à reeleição Rui Costa (PT). É claro que Coronel se baseia na insatisfação que o estilo de Rui tem produzido em alguns setores políticos e no próprio PT.

Assim como no desgaste natural de um partido que comanda o Estado há mais de 10 anos. Estas seriam, pelo menos, as justificativas, digamos, técnicas. O ponto mais importante da idéia, no entanto, é menos visível. Estaria em, aproveitando as dificuldades inerentes ao governador e ao seu partido, abrir espaço para mais uma legenda na chapa a ser liderada pelo PT na próxima sucessão estadual.

Exatamente assim. Porque não gira em torno de uma equação diferente a proposta de Coronel. Com Wagner eventualmente retomando a cabeça da chapa, Rui seria obrigado a tocar o governo até o final para não dar o lugar ao vice, João Leão, do PP, ou, no caso da desincompatibilização desse, ao próprio presidente da Assembleia. Assim, abriria espaço para mais três e não dois partidos na chapa, além do PT:

O PP e o PSD, que já estão seguros, além de um terceiro. Há entre os candidatos o PSB, o PR ou qualquer outro, todos na batida comum, devidamente captada por Coronel, de que o PT teria perdido as condições políticas de levar a chapa com dois integrantes: Rui, ao governo, e Wagner, ao Senado. Não se trata de operação fácil, uma vez que não há sinais de que Rui esteja disposto a abrir mão da condição natural de líder do processo.

Mesmo porque, para o quadro em que pegou a máquina administrativa estadual e a crise em que o país mergulhou, pode-se dizer que Rui faz mesmo um governo excelente. A preferência, portanto, é sua. Mas no clima de salve-se quem puder em que a política se encontra, onde vaca desconhece bezerro em pasto aberto, é melhor não brincar com a sugestão, aparentemente inocente, de Coronel.

O potencial que tem de animar os partidos da base em torno de mais espaço na chapa ou mesmo no governo pode até não ter sido ainda dimensionado, mas com certeza poderá produzir muita agitação, principalmente se Rui – e o próprio Wagner – não agir rápido para conter a pressão para que o PT abra mão de indicar dois nomes na chapa de 2018.

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