10 de julho de 2017, 10:29

EXCLUSIVAOs planos de governo de Rodrigo Maia, por Raul Monteiro

Foto: Fábio Mota/Estadão/Arquivo

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e sucessor natural de Michel Temer

O que faz o rio correr para a praia de Rodrigo Maia (DEM) neste momento em que o presidente Michel Temer (PMDB) se trumbica, ao que parece, de maneira irreversível, é o fato de ambos estarem no mesmo campo político e ideológico. Fosse o sucessor natural de Temer um político mais à esquerda, sem compromisso algum com a agenda econômica iniciada pelo presidente, responsável, inclusive, pelos primeiros e tênues sinais de recuperação econômica do país, o mercado e a classe política não se mexeriam para tirar Temer de onde está, ainda que fazendo água por todos os lados.

Com efeito, Rodrigo não tem conspirado contra o atual presidente da mesma forma que o peemedebista fez em relação à sua antecessora, Dilma Rousseff (PT). Isso não significa, entretanto, que não tenha dado a saber a seus correligionários mais próximos, alguns baianos entre eles, quais seus planos, neste momento difícil, para a economia, setor que passou efetivamente a predominar sobre todos os demais, depois do lastimável legado deixado pelo PT, que levou o país, como qualquer um sabe, senão ao fundo do poço, pelo menos a bem perto dele.

É desta forma que se toma conhecimento, por exemplo, de que estão nos planos de Maia, na hipótese de Temer não se segurar no posto de presidente, como suas eventuais primeiras medidas, uma redução drástica no número de ministérios para algo em torno de 10, a montagem de um núcleo duro de governo que incluiria em postos como a Casa Civil gente da qualidade de Pedro Parente, hoje resolvendo o pepino em que o PT transformou a Petrobras, e alguém do porte de Armínio Fraga na Fazenda, para dar perspectivas mais animadoras ao país, além das que o atual titular, Henrique Meirelles, hoje proporciona.

Do grosso de ministérios que o país sustenta hoje, outro lastimável legado petista, pelo menos cinco estão em poder do PMDB, com a turma de Temer que, aos poucos, vem sendo encarcerada pela Polícia e o Ministério Público Federal, um tamanho que simplesmente não se justificaria numa eventual gestão Maia. O jovem político democrata também avançaria sobre os postos ocupados atualmente pelos tucanos, motivo da cisão profunda provocada na agremiação em torno do dilema entre ficar ou não ficar num governo que parece efetivamente com os dias contados.

Se você acredita que, desconsiderando a lógica do presidencialismo de coalizão, Maia ascenderia já com um problema de monta para se relacionar com o Congresso, pode ficar tranquilo. O presidente da Câmara avalia poder implementar uma parte das medidas de que o país necessita, emperradas pela complicada dinâmica congressual brasileira, por meio de medidas provisórias. São iniciativas que poderiam credenciar Maia, uma vez na Presidência, a se tornar um player fortíssimo para 2018. Não é por outro motivo que o PT, que quer eleger Lula, prefere Temer, da mesmíssima forma que a ala do PSDB ligada ao presidenciável Geraldo Alckmin, que, aliás, já sinaliza que está mudando de opinião.

* Texto publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

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