19 de maio de 2017, 14:34

BRASILPresidente do Banco Central diz que incertezas aumentaram por conta do ambiente político

Foto: Divulgação

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reconheceu nesta sexta-feira, 19, que, nos últimos dias, as incertezas no País aumentaram “por conta de informações advindas do ambiente político”. Em evento do Santander, em São Paulo, ele afirmou o BC está monitorando os impactos dessas informações e atuando para manter a funcionalidade dos mercados. Sem citar diretamente a JBS, que está no centro de delações que implicam o governo Michel Temer, Godfajn afirmou que o cenário externo de incertezas “encontra o Brasil em momento de estabilização da economia e de recuperação dos fundamentos econômicos, mas também de incerteza política”. De acordo com Goldfajn, a despeito do fator “não econômico” – ou seja, da crise política -, o Brasil tem amortecedores robustos e por isso, está menos vulnerável a choques, internos ou externos. Para ilustrar a questão, Goldfajn voltou a citar, em sua fala, a situação “confortável” do balanço de pagamentos do Brasil. Além disso, disse que o regime de câmbio flutuante é a primeira linha de defesa contra choques externos. “Isso não impede o BCB de usar os instrumentos à sua disposição para garantir o bom funcionamento e suavizar choques no mercado de câmbio”, ressaltou Goldfajn. Ele também voltou a citar o fato de o Brasil ter hoje estoque de reservas internacionais superior a US$ 370 bilhões, ou aproximadamente 20% do PIB. “Esse colchão funciona como um seguro em momentos turbulentos do mercado”. Ao mesmo tempo, Goldfajn lembrou que o estoque de swaps cambiais do BC foi reduzido de US$ 108 bilhões, há alguns anos, para cerca de US$ 20 bilhões atualmente. Segundo Goldfajn, isso traz “mais espaço para atuações do BC”. Outro ponto abordado por Goldfajn foi o atual endividamento externo do setor financeiro brasileiro, qualificado por ele como “pequeno e submetido a constante monitoramento”. “Quanto ao setor não financeiro, sua dívida externa, excluídas operações intercompanhia, cresceu apenas 3% entre dezembro de 2012 e dezembro de 2016, indo de US$ 102,2 bilhões para US$ 105,6 bilhões. E nesse montante predominam empréstimos de longo prazo” destacou. Goldfajn afirmou ainda que é importante que a política econômica continue no caminho correto, “a despeito do aumento da incerteza política”. Ele citou a queda do Credit Default Swap (CDS) brasileiro, de 500 pontos para menos de 200 pontos “nos primeiros dias desta semana”. A menção ao período ocorreu porque na quinta, em função da crise política, o CDS encerrou nos 266 pontos, como citou Goldfajn.

Estadão Conteúdo

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