19 de maio de 2017, 06:55

BRASILPartidos e grupos de esquerda articulam três táticas por voto popular

A realização de eleições diretas para a eventual sucessão do presidente Michel Temer é a prioridade de partidos e movimentos de esquerda diante da crise criada após a delação dos diretores da JBS. A ideia é criar uma ampla aliança que inclua PT, PC do B, PSOL, Rede, movimentos sociais abrigados nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e também os da chamada “nova esquerda” para uma série de manifestações em todo o País pelas “diretas já”. “O governo Temer acabou. A solução para a crise política, econômica, social, cultural e moral é uma só, diretas já”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, depois de reuniões da Executiva Nacional do partido e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 18. A oposição enxerga quatro caminhos. O mais rápido seria a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento está marcado para o dia 6 de junho. A minirreforma eleitoral de 2015 diz que, em caso de cassação até seis meses antes do término do mandato, seriam convocadas novas eleições diretas. “Mas chegamos a cogitar o cenário de adiamento do julgamento”, disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deve assumir a presidência do partido em junho. O segundo caminho seria a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 227/2017, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que determina eleições diretas em caso de vacância da Presidência. “Hoje não temos votos, mas, com a pressão das ruas, podemos conseguir. É preciso atrair o centro”, defendeu o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Segundo ele, caso seja obtida a maioria no Congresso, a PEC pode ser aprovada até o fim de junho. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), pautou a análise da PEC para a sessão de terça-feira. Um mandato excepcional de cinco anos também poderia ser proposto. O terceiro caminho seria uma outra PEC protocolada pela bancada de oposição no Senado no ano passado que prevê eleições gerais, mas é considerado o mais difícil. Um quarto caminho, visto como o pior pela oposição, seria um processo de impeachment, que poderia se arrastar por vários meses.

Estadão

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