9 de janeiro de 2017, 08:01

EXCLUSIVADuelo entre Nilo e Otto pela Assembleia, por Raul Monteiro

Foto: Montagem/Política Livre

Com o encontro da semana passada entre o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PSL), e o vice-governador e secretário estadual de Planejamento, João Leão (PP), é possível que a disputa pelo comando da Casa se resuma efetivamente a um duelo entre o deputado estadual e o senador Otto Alencar (PSD), que tem trabalhado ostensivamente pela candidatura do aliado Angelo Coronel (PSD). Isso, se o plano de Nilo de atrair Leão e seu candidato, Luiz Augusto (PP), e isolar Otto e seu afilhado, efetivamente se concretizar. Com efeito, o nome mais forte para enfrentar o presidente da Assembleia hoje é o de Coronel.

O apadrinhamento de sua candidatura pelo senador do PSD, junto com os claros movimentos que Otto tem feito no sentido de fortalecer seu nome, a exemplo de puxar para a Assembleia aliados como a suplente Mirela Macedo com o nítido objetivo de ampliar a base de votos nele, tornam Coronel o nome mais competitivo para enfrentar Nilo. Apesar do excelente relacionamento com os deputados, o presidente da Assembleia tem em seu desfavor o desgaste natural entre os colegas de comandar o Poder por cinco mandatos consecutivos, os quais pretende transformar em seis, se conseguir se reeleger.

Ainda que o PP de Leão e Luiz Augusto não tenha na Assembleia uma bancada suficiente para virar o jogo em favor de nenhum dos três candidatos, a possibilidade de Nilo atrair o partido para o seu campo não deixa de fortalecê-lo, já que polariza a disputa entre ele e Coronel ou, como avalia a maioria, entre ele e Otto. Reside aí uma jogada esperta do presidente da Assembleia porque, como se sabe, a decisão sobre a eleição do próximo presidente da Assembleia está nas mãos da oposição, com os 20 votos da bancada que o grupo possui na Casa.

Ciente do papel dos oposicionistas na disputa, o líder in pectore do grupo, o prefeito ACM Neto (DEM), já se reuniu com os deputados na Assembleia para fazer um apelo pelo voto conjunto num só candidato. Com toda a razão, Neto preferiria um presidente menos alinhado do que o atual com o governador Rui Costa (PT), a quem deve enfrentar em 2018, no caso de, como tudo indica, renunciar ao segundo mandato de prefeito para concorrer ao governo do Estado. Se, mesmo pertencendo à base governista, Coronel é quem poderia se posicionar de forma mais independente em relação ao governador, restaria um outro dilema.

O que assegura que, uma vez eleito, o candidato do PSD pode efetivamente favorecer os planos da oposição de tornar a Assembleia mais autônoma em relação ao Executivo? Ou, dito de forma mais clara, em que medida interessa a Neto fortalecer Otto por meio da eleição de Coronel? Como já disse o próprio o prefeito, nada assegura que, uma vez reeleito, Nilo não possa se constituir num foco de atrito importante por ocasião da montagem da chapa à reeleição de Rui, já que todo mundo sabe que pleitea pelo menos uma de suas duas vagas ao Senado, motivo porque se empenha para estar no comando da Assembleia no momento decisivo.

Raul Monteiro

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