8 de março de 2015, 09:30

BRASILExecutivos presos na Lava Jato mostram resignação

Foto: Silvia Costanti

Vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite

Em meio ao clima de tensão pela abertura de investigação de políticos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras – alvo da Operação Lava Jato -, empreiteiros presos há quatro meses vivem outro momento, de resignação. “O que não posso esquecer é que estou preso, que isso não é uma situação normal na minha vida”, desabafou o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite. A empreiteira é apontada como uma das empresas do “cartel” que atuou na estatal petrolífera. As impressões dos empreiteiros estão relatadas em documento inédito ao qual o Estado teve acesso elaborado pela Procuradoria da República no Paraná. O documento, um relatório de inspeção sobre as condições da carceragem da superintendência da Polícia Federal em Curitiba em que se encontram os executivos, foi feito após surgirem boatos sobre a precariedade do local. Onze dirigentes de construtoras estão presos desde 14 de novembro, quando foi deflagrada a 7.ª fase da Lava Jato, que mirou nas empreiteiras. O presidente da UTC, Ricardo Pessoa, acusado de ser o chefe do “clube” de empreiteiras que pagava propina em troca de contratos na Petrobras, se queixou da imprensa. Críticas que ele disse ter condições de fazer porque, ao contrário dos demais presos, foi “capa de revista”. Em janeiro, reportagem da revista Veja mostrou anotações feitas por Pessoa nas quais o empreiteiro liga contratos da Petrobrás sob suspeita ao caixa de campanha da presidente Dilma Rousseff. “A imprensa tem praticado leviandades desde que começou esse sensacionalismo todo sobre isso aqui. Se você for olhar ao longo do tempo, ela não tem compromisso com nada, só com vender e fazer a escandalização. Não podemos nos pautar pelo que sai na imprensa em hipótese alguma. Eu posso falar isso porque sou capa de revista, sei muito bem do que eu falo”. Presidente de uma das maiores empreiteiras do país, a OAS, José Aldemário Pinheiro Filho disse que não perdeu sua dignidade na prisão. “É preciso deixar bem claro que não fere nenhuma dignidade nossa estar lavando alguma coisa. Lavo (a cela) porque quero.” Oliveira complementou: “A gente está limpando (a cela) porque quer, para limpar do nosso jeito.”

Agência Estado

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