9 de março de 2015, 09:30

BRASILAcuado, Congresso pressiona Planalto

Foto: Divulgação

A divulgação da lista de 34 parlamentares investigados sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras agravou ainda mais a já combalida relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Base aliada e oposição preveem uma temporada de derrotas significativas para o governo já a partir desta semana, quando serão apreciados os vetos presidenciais e projetos polêmicos, como a política de reajuste do salário mínimo. Os parlamentares acusam o governo de tentar transferir para o Congresso a crise política provocada pela Operação Lava Jato. Alguns, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspeito de receber do esquema, acusam o Planalto de interferir diretamente na lista encaminhada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. “Essas digitais do governo são visíveis. Não dá para não perceber isso”, diz o vice-líder do PMDB na Câmara, Manoel Júnior (PB). No PMDB, partido do presidente da Câmara e do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) – que também está na lista de suspeitos -, a insatisfação é generalizada. “O governo, para sair do olho do furacão, está jogando tudo para o Congresso. Ninguém vai aceitar isso”, diz Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).O peemedebista prevê que a CPI da Petrobras, comandada por seu partido, pode aprovar novos requerimentos de convocação, prejudicando o governo. Ele também acredita que o ministro Cid Gomes (Educação) enfrentará ainda mais dificuldade ao comparecer à Câmara nesta quarta-feira para se explicar por ter dito que a Casa tem “de 300 a 400 achacadores”. “Os indícios de uma estratégia do governo são muito claros. O Congresso está identificando isso. Ninguém está satisfeito. A tendência é o Congresso demonstrar ao Planalto, à presidente, que essa estratégia de tentar colocar todo mundo na vala comum, não está dando certo”, afirmou Vieira Lima.

Estadão

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