28 de fevereiro de 2015, 09:15

BRASILAdvogados tentam blindagem da Lava Jato na Suíça

Foto: Reprodução

Justiça quer saber de onde veio o dinheiro que será devolvido pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa

Uma leva de processos para impedir a cooperação judicial entre a Suíça e o Brasil no caso da Petrobras está sendo preparada, inclusive pela construtora Odebrecht. Advogados montaram uma espécie de força-tarefa em Genebra para representar empresas e pessoas investigadas pela Operação Lava Jato para impedir que seus dados bancários sejam enviados ao Brasil e sejam usados pela Justiça em casos criminais. Pelo menos dois ex-funcionários da Petrobrás, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco e o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, indicaram em suas delações premiadas que estão dispostos a devolver o dinheiro congelado nos bancos suíços que seria proveniente de propinas. Mas o que a Justiça no Brasil quer saber é de onde veio o dinheiro, quem pagou e quem esteve envolvido. Para isso, portanto, outros sigilos bancários precisariam ser quebrados e é essa a batalha judicial que está ocorrendo no momento. O Ministério Público da Suíça pediu aos bancos onde as contas foram movimentadas que fornecessem os dados de seus clientes sob investigação no Brasil. Mas isso implica que esses clientes deem um sinal verde. No caso de Barusco e Costa, a autorização foi concedida. Mas, segundo o Estado apurou, pessoas envolvidas no pagamento da propina negaram a autorização. Isso vai exigir que o MP suíço abra recursos no Tribunal Penal do país que, assim, julgará se a quebra do sigilo e o envio das informações é justificável. Entre os advogados em Genebra especializados em casos de cooperação e lavagem de dinheiro, o assunto Petrobras vem movimentando os escritórios pela cidade. Em um deles, que pediu para não ser identificado, um time foi destacado para lidar com os clientes brasileiros do caso.

Jamil Chade, Estadão Conteúdo

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