51% topam imposto para saúde
Há um dado relevante na reportagem de capa de Ricardo Mendonça publicada pela Época. A revista perguntou se os brasileiros concordariam em pagar um novo imposto para saúde. A resposta é sim. Desde a posse do governo Dilma que se discute o assunto em Brasilia. Num país onde gastos do governo costumam ser associados apenas a desvios e a corrupção, como se não produzissem nada de útil para a sociedade, a derrota da idéia parecia uma barbada. Recentemente, até a bancada do governo baixou a guarda e evitou debater o assunto quando a Câmara votou a emenda 29, que define gastos para saúde. A resposta na pesquisa: 51% a favor e 46% contra. O resultado é uma surpresa em parte. É verdade que a denuncia dos impostos altos e injustos mobilizou a classe média e tornou-se ponto de honra dos empresários. A discussão sobre carta tributária tem uma base na realidade: muitas pessoas efetivamente pagam impostos demais. A malha de tributos é tão complexa que chega a ser irracional e cria entraves para o desenvolvimento. Em função destes argumentos, muitas vezes justos, parecia que a população chegara a uma conclusão complicada: a de que não adianta aumentar as receitas da saúde pública porque o atendimento iria continuar ruim como sempre foi. A pesquisa mostra que não é assim. Por uma margem de 63%, os brasileiros reclamam que a carga tributária é alta demais. Ao mesmo tempo, concordam em pagar mais — desde que seja para a saúde. Quanto mais pobre o eleitor, maior seu apoio a idéia. Leia mais na coluna de Paulo Moreira Leite.






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